Caso Voepass: saiba quem são os 12 réus pela queda de avião em Vinhedo
Lista inclui cúpula da empresa, diretores e funcionários acusados por tragédia que matou 62 pessoa
A Justiça Federal aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou réus 12 integrantes vinculados à companhia aérea Voepass pelo acidente com o avião ATR 72-500 (prefixo PS-VPB), que caiu em Vinhedo (SP) e deixou 62 mortos em 9 de agosto de 2024. Os acusados responderão pelos crimes de atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro em transporte aéreo.
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Quem são os 12 réus do caso
A lista de denunciados aceita pela Justiça abrange membros da alta administração, ocupantes de cargos de diretoria e chefia da empresa à época do acidente, além de funcionários da área operacional:
- Integrantes da cúpula, diretoria e gestão: Marcos Hiroyuki Sato Alex de Souza Leandro William Schimidt Agatz Juliano Flores Pacheco Raphael Limongi de Figueiredo Marcel Sarquis Moura Tiago Passucci Morani Carlos Alberto Costa Eric Consoli Rafael Gimenez Rodrigues David da Costa Faria Neto José Luiz Felício Filho
Entre os 12 réus estão dois funcionários sem cargos de comando que, segundo o MPF, tiveram contribuição direta para o desfecho trágico do voo.
Ao todo, a Polícia Federal havia indiciado 16 pessoas ao concluir o inquérito do voo 2283. Contudo, quatro investigados fecharam acordos de não persecução penal com o MPF e foram excluídos da ação penal.
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O que pesa contra os acusados
A denúncia aponta que os acusados aplicavam cultura e diretrizes corporativas pautadas pela redução de custos e busca pelo lucro em detrimento da segurança operacional. Entre as principais condutas listadas pelo MPF estão:
- Manutenção precária e fraude de registros: Falsificação de diários de bordo, uso de peças sem rastreabilidade e pressão sobre equipes para ocultar panes.
- Voo em área de gelo severo: Escala da aeronave sem homologação técnica adequada para condições críticas de congelamento na rota Cascavel–Guarulhos.
- Negligência com o sistema de degelo: Falhas no mecanismo de degelo eram de conhecimento de gestores e pilotos há pelo menos um ano, mas foram omitidas dos relatórios oficiais.
Ação penal inédita na aviação brasileira
Sustentada por laudos da Polícia Federal, do Cenipa e da Anac, a abertura do processo foi recebida com alívio pelas famílias das vítimas. O advogado Leonardo Amarante, representante de familiares de 37 mortos, classificou a decisão da Justiça como um marco inédito na responsabilização criminal por acidentes aéreos no país:
“Como advogado das famílias de 37 vítimas desse acidente, todos nós ficamos muito satisfeitos com a decisão da Justiça, que finalmente deu o ponto de partida a essa ação penal, inédita em termos de responsabilização. Nunca se viu isso antes no Brasil num acidente aéreo. Por isso, aguardamos que o processo siga com a mesma efetividade e chegue à condenação dos responsáveis por esse trágico acidente."
