Ex-funcionários do Hospital Alvorada cobram salários atrasados
Após interdição por órgãos de saúde de Jacareí, profissionais demitidos por mensagem denunciam falta de pagamentos e de rescisões trabalhistas

O Hospital Alvorada, em Jacareí, foi interditado de forma cautelar pelas vigilâncias epidemiológicas do município e do estado de São Paulo após vistorias identificarem diversas irregularidades na unidade de saúde particular. A interdição mobilizou dezenas de ex-funcionários, que relatam ter sido demitidos em massa por meio de mensagens em 18 de agosto, a cobrarem o pagamento de salários atrasados, verbas rescisórias e depósitos pendentes do FGTS.
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Irregularidades e interdição cautelar em Jacareí
A interdição do Hospital Alvorada ocorreu de caráter preventivo após uma ação conjunta dos órgãos de fiscalização sanitária. Segundo a Secretaria de Saúde do município, a medida cautelar foi adotada em decorrência de um expressivo volume de denúncias e de um histórico de problemas recorrentes que voltaram a ser constatados no hospital. O fechamento temporário deixou o estabelecimento de portas fechadas para trabalhadores e também para os pacientes.
Demissões e direitos trabalhistas violados
Após a repercussão da interdição, profissionais de diversas áreas da saúde — incluindo técnicos de enfermagem, auxiliares de radiologia e auxiliares de limpeza — denunciaram descumprimentos graves da legislação trabalhista. No dia 18 de agosto, a empresa comunicou o desligamento dos últimos colaboradores por mensagens, sem fornecer qualquer tipo de suporte ou orientação.
De acordo com os relatos das vítimas, a situação financeira do hospital vinha se deteriorando há bastante tempo:
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- Fundo de Garantia (FGTS): Os atrasos nos depósitos começaram em 2019 e cessaram completamente a partir do período da pandemia de Covid-19.
- INSS: Trabalhadores relatam que os valores previdenciários eram descontados mensalmente na folha de pagamento, mas não eram repassados ao órgão oficial nos dois meses anteriores às demissões.
- Atrasos de benefícios: Ocorriam atrasos sistemáticos no pagamento de salários e do vale-alimentação, além de falta de recarga em cartões de transporte.
Entre os demitidos de forma informal estão funcionários com até 24 anos de serviços prestados corretamente à instituição de saúde.
Cobranças na Justiça do Trabalho
Muitos profissionais decidiram recorrer ao Poder Judiciário em busca de reparações. Uma ex-funcionária que obteve decisão favorável de rescisão indireta em novembro do ano passado, declarou que até hoje não recebeu nenhuma das parcelas do acordo de direitos trabalhistas firmado perante o juiz.
Outro caso é o de uma funcionária que também recorreu ao pedido de rescisão indireta no mês passado após classificar a situação no hospital como insustentável. Ela afirma que, além de não receber os valores devidos, sequer teve a baixa registrada em sua carteira de trabalho digital. Os profissionais afirmam que, nos corredores da unidade, as lideranças sempre faziam falsas promessas de que a situação financeira iria melhorar no mês seguinte.
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O posicionamento das empresas envolvidas
Procurada pela equipe de reportagem, a administração do Hospital Alvorada alegou em nota que está passando por um processo planejado e responsável de readequação e melhorias internas com o objetivo de atender às solicitações sanitárias e, posteriormente, retomar as suas atividades regulares. A empresa declarou que preza pela segurança dos pacientes, colaboradores e profissionais. Contudo, a direção do hospital não respondeu aos questionamentos referentes ao pagamento dos salários e das verbas rescisórias atrasadas aos ex-funcionários.
A operadora de planos de saúde Dona Saúde, convênio vinculado à instituição, também foi procurada para se manifestar sobre as denúncias de descumprimento de obrigações com os trabalhadores, mas não enviou resposta até a publicação desta reportagem.
