Fotógrafo com deficiência visual de Sorocaba relata desafios na profissão
No Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência, Teco Barbero fala sobre acessibilidade e inclusão

O Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado nesta segunda-feira (21/09), coloca em pauta os desafios de acessibilidade e garantia de direitos. Natural de Sorocaba (SP), Antônio Walter Barbero, o Teco Barbero, conhece essas dificuldades de perto: em 2009, tornou-se o primeiro fotógrafo do Brasil com deficiência visual a realizar uma campanha publicitária.
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Teco tem 45 anos e nasceu com deficiência visual congênita, além de uma lesão cerebral. Apesar das dificuldades, estudou e se formou em Jornalismo. Hoje, ele conta quais foram os principais desafios que enfrentou.

Campanha da Associação Desportiva para Deficientes (ADD), de 2009, feita por Teco Barbero — Acervo/Blog Teco Barbero
Entre a escola e a faculdade
Segundo Teco, a escrita foi uma das principais dificuldades durante a formação. Em contrapartida, ele conta que desenvolveu outras habilidades que o ajudaram nos estudos.
“Para conseguir ter um aprendizado como as outras crianças, tive que convencer professores de que meu jeito tinha que ser um pouco diferente”, lembra. “Tive muita dificuldade com escrita, mas, em compensação, eu tinha uma memória muito boa para ouvir e memorizar. Na faculdade, passei pelo mesmo problema, sempre muito cobrado.”
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O fotógrafo explica que cresceu em uma época em que não havia as tecnologias disponíveis atualmente e, por isso, contou ao longo da vida com uma rede de apoio formada por familiares e colegas, inclusive para atividades como a leitura.
Hoje, porém, algumas limitações permanecem. Teco conta que encontra dificuldades até mesmo para utilizar recursos criados para facilitar o acesso de pessoas com deficiência visual.
“A deficiência acaba me dificultando principalmente na parte cerebral. Por exemplo, não consigo fazer os movimentos com o dedo que os leitores de tela pedem para quem tem deficiência visual”, explica. “Como dependo só do que tenho de visão, muitas coisas não leio. Perco muito e a leitura pode ser cansativa. Outra dificuldade é a mobilidade geral, como sair de casa.”
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Os desafios por trás da câmera
A deficiência também impõe desafios ao trabalho de Teco como fotógrafo. Para exercer a profissão, ele conta que precisa recorrer aos outros sentidos e se preparar para conhecer os espaços onde irá trabalhar, principalmente quando está sozinho.
“Em um evento que estou cobrindo ou uma exposição, por exemplo, eu preciso compreender, buscar a acessibilidade, se tiver, conhecer o espaço, etc.”, conta. “Outra dificuldade é reconhecer as pessoas. Encontro pessoas que me conhecem, mas não consigo fixar a feição delas.”
Para além das limitações relacionadas à deficiência, Teco também relata situações de preconceito. Segundo ele, parte das dificuldades está na maneira como outras pessoas enxergam sua capacidade profissional.
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“É desafiador também por ser encarado pelas pessoas, achando que você vai cortar a cabeça de alguém na imagem, pela deficiência, ou achando que você vai fazer uma foto ruim”, afirma. “Hoje, o maior desafio é convencer a sociedade de que, apesar da deficiência visual, seu trabalho é bom e que você pode ser bom como qualquer outro.”
Acessibilidade e oportunidades

Teco em palestra sobre sua vida — Acervo/Blog Teco Barbero
Ao longo da trajetória, Teco percebeu mudanças. Depois da primeira campanha publicitária, em 2009, novas oportunidades profissionais surgiram. A tecnologia também avançou e passou a oferecer recursos que facilitam algumas atividades para ele e para outras pessoas com deficiência.
Para ele, no entanto, ainda há espaço para avanços. É nesse contexto que ele vê o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência como uma oportunidade para ampliar a discussão sobre inclusão.
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“É um marco nacional, quando nós, com deficiência, tentamos ser um pouco mais visíveis para a sociedade. É uma oportunidade que temos de, no mínimo, provocar uma reflexão e gerar mais oportunidades, não apenas profissionais”, diz. “Uma pessoa com deficiência quer uma oportunidade de trabalhar, uma oportunidade pessoal, uma oportunidade de se relacionar.”
Também para Teco, pessoas com deficiência têm os mesmos direitos e obrigações que qualquer outra, mas ainda encontram portas fechadas em situações que vão desde o acesso ao trabalho até uma simples conversa.
A mudança, segundo ele, passa por adaptações. Elas podem estar em recursos cotidianos, como os celulares e as câmeras que utiliza, mas também em espaços maiores, que precisam ser planejados para garantir acessibilidade.
