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Guilherme Paschoalino explica por que emagrecer vai além da balança

Médico com prática clínica voltada à endocrinologia integrativa fala sobre metabolismo, massa muscular, hábitos e segurança no emagrecimento

6 min

23/06/2026 14:38 • Atualizado há 137 dias

Guilherme Paschoalino explica por que emagrecer vai além da balança

O emagrecimento deixou de ser tratado apenas como uma questão estética. Para que a perda de peso aconteça de forma segura, é preciso observar um conjunto de fatores que inclui alimentação, sono, atividade física, exames laboratoriais, composição corporal, rotina e, quando indicado, uso individualizado de medicamentos.

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Para o médico Guilherme Mussi Paschoalino, cuja prática clínica é voltada à endocrinologia integrativa, metabolismo, emagrecimento, performance e qualidade de vida, uma das principais dificuldades no consultório é reorganizar a expectativa de quem busca resultados rápidos.

“Muitas pessoas chegam querendo uma resposta imediata, seja para emagrecer, melhorar a performance ou ganhar massa muscular. Mas o ganho de peso, assim como o sedentarismo, geralmente é construído ao longo dos anos. Por isso, o tratamento precisa ser pautado em constância, boa alimentação, atividade física e continuidade dos hábitos.”

Essa avaliação mais ampla ajuda a diferenciar perda de peso de emagrecimento saudável. A balança mostra um número, mas não revela, sozinha, se houve redução de gordura, preservação de massa muscular ou melhora dos marcadores metabólicos.

“O peso é apenas uma consequência. Às vezes, a pessoa está dentro da faixa considerada normal pelo IMC, mas apresenta percentual de gordura elevado. Por isso, é importante avaliar a composição corporal e entender se o processo está preservando a massa muscular e reduzindo gordura de forma adequada.”

Obesidade não deve ser reduzida à falta de disciplina

Ainda é comum que o excesso de peso seja associado apenas à falta de força de vontade. No entanto, a obesidade envolve fatores biológicos, comportamentais, ambientais, hormonais e metabólicos. Também pode estar relacionada ao histórico familiar e ao estilo de vida construído ao longo do tempo.

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Segundo Paschoalino, o tratamento precisa considerar a individualidade de cada paciente. Uma estratégia que funciona para uma pessoa pode não ser adequada para outra, mesmo quando o objetivo final parece semelhante.

“Cada paciente responde de uma maneira. O que funciona para uma pessoa nem sempre será o ideal para outra. Mesmo quando duas pessoas buscam emagrecimento, performance ou qualidade de vida, as queixas, a rotina, os exames e a resposta ao tratamento podem ser completamente diferentes.”

Esse olhar individualizado também evita abordagens excessivamente restritivas. Dietas muito rígidas podem aumentar a frustração, favorecer episódios de compulsão e dificultar a manutenção do peso no longo prazo.

“Estratégias muito restritivas tendem a ser difíceis de sustentar. Quando a pessoa se priva demais, pode surtir um efeito rebote, com maior desejo alimentar e mais dificuldade de manter o plano. O tratamento precisa ser possível dentro da rotina do paciente.”

Medicamentos podem ajudar, mas não substituem hábitos

A popularização dos medicamentos para emagrecimento trouxe novas possibilidades terapêuticas, mas também aumentou o risco do uso sem orientação adequada. Para o médico, os avanços farmacológicos podem fazer parte da conduta em casos selecionados, sempre após avaliação médica e análise dos riscos e benefícios.

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A indicação deve considerar o quadro clínico, a rotina, os objetivos de saúde e possíveis contra indicações.

“Os medicamentos representam um avanço, porque a obesidade pode aumentar o risco de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. Mas é fundamental saber o que está sendo usado, se há indicação para aquele paciente e se a medicação é regularizada. O caminho mais seguro é sempre a orientação médica.”

Paschoalino reforça que o remédio não deve ser entendido como solução isolada. Quando indicado, ele pode auxiliar o processo, mas precisa estar associado a alimentação adequada, atividade física, sono regular e acompanhamento.

“A medicação pode ser um auxílio para que o paciente consiga manter o processo, veja evolução e não desista no meio do caminho. Ainda assim, ela não substitui bons hábitos. O objetivo é que a pessoa continue se movimentando, ajustando a alimentação e construindo uma rotina mais saudável.”

Massa muscular é essencial no emagrecimento

Um dos pontos centrais para emagrecer com saúde é preservar massa muscular. A perda rápida de peso, sem orientação adequada, pode comprometer a composição corporal e impactar a funcionalidade, a força e a qualidade de vida.

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A atividade física tem papel importante nesse processo, especialmente quando associada a uma alimentação que garanta aporte adequado de proteínas, fibras e hidratação. O objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança, mas melhorar a relação entre gordura e massa magra.

“Emagrecer não significa perder massa muscular. O ideal é reduzir gordura e preservar musculatura. Quando o processo não é bem conduzido, a pessoa pode até perder peso, mas também perder massa muscular, o que não é desejável para a saúde.”

Essa preocupação ganha ainda mais importância com o envelhecimento. A manutenção da massa muscular está associada à autonomia, à força e à preservação funcional ao longo dos anos.

Sono, hidratação e rotina também interferem no metabolismo

O emagrecimento também pode ser dificultado por hábitos silenciosos. Privação de sono, uso excessivo de telas à noite, baixa ingestão de água, sedentarismo, beliscos fora de horário, consumo frequente de embutidos, fast food e excessos alimentares nos fins de semana podem prejudicar a evolução.

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Para o médico, investigar a rotina é tão importante quanto avaliar exames. Muitas queixas de cansaço, desânimo e dificuldade de emagrecer podem estar ligadas a pilares básicos da saúde.

“Sono, hidratação, alimentação e atividade física são pilares importantes. Às vezes, o paciente está cansado, desmotivado ou com dificuldade de evoluir, e a origem pode estar na privação de sono, no sedentarismo, na baixa hidratação ou em hábitos que passam despercebidos no dia a dia.”

O estresse também pode interferir na adesão ao tratamento. Embora nem sempre seja possível eliminá-lo, reorganizar hábitos e criar estratégias sustentáveis pode ajudar o paciente a recuperar disposição e constância.

Jejum intermitente não é regra para todos

Entre as estratégias mais comentadas para perda de peso, o jejum intermitente costuma gerar dúvidas. Segundo Paschoalino, ele pode funcionar para algumas pessoas, mas não deve ser tratado como solução universal.

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O principal ponto é que a estratégia precisa fazer sentido para a rotina, a saúde e a resposta individual do paciente. Sem equilíbrio alimentar, nenhuma abordagem se sustenta sozinha.

“O jejum intermitente pode funcionar para alguns pacientes, mas não é a melhor estratégia para todos. O emagrecimento depende de um planejamento adequado, com controle da ingestão calórica, qualidade alimentar e adaptação à rotina de cada pessoa.”

A orientação central é evitar fórmulas prontas. Quando há dificuldade persistente para emagrecer, histórico de efeito sanfona, alterações metabólicas ou uso de medicamentos, a avaliação profissional ajuda a definir uma conduta mais segura.

“O primeiro passo é fazer uma avaliação médica adequada e, a partir disso, buscar mudanças no estilo de vida. A construção de hábitos é o ponto inicial para melhorar a disposição, saúde metabólica e qualidade de vida.”

Quem é Guilherme Mussi Paschoalino

Guilherme Mussi Paschoalino é médico com prática clínica voltada à endocrinologia integrativa, metabolismo, emagrecimento, performance e qualidade de vida. Sua atuação parte de uma avaliação individualizada, que considera exames, composição corporal, rotina, sono, alimentação, atividade física e sintomas relatados pelo paciente.

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No atendimento, valoriza uma escuta ampla e humanizada, sem reduzir as queixas ao peso ou aos resultados laboratoriais. A proposta é compreender cada caso em sua realidade e orientar mudanças sustentáveis, respeitando os limites, a rotina e os objetivos de cada pessoa.

CRM: 184410/SP

Instagram: @dr.guipaschoalino

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