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Lifting facial moderno busca naturalidade, explica Stella Amorim

Cirurgiã plástica explica como o Deep Plane Facelift e o lifting endoscópico podem contribuir para um rejuvenescimento mais natural.

9 min

21/08/2026 15:09 • Atualizado há 64 dias

Lifting facial moderno busca naturalidade, explica Stella Amorim

O medo de perder a própria identidade ainda é uma das principais inseguranças de quem considera realizar um lifting facial. A imagem de um rosto excessivamente esticado, associada a técnicas utilizadas no passado, faz com que muitos pacientes procurem alternativas menos invasivas ou adiem a avaliação cirúrgica.

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Segundo a cirurgiã plástica Stella Amorim, o entendimento sobre o envelhecimento da face mudou ao longo dos anos. Em vez de concentrar o procedimento apenas na retirada e na tração da pele, algumas técnicas atuais buscam reposicionar estruturas mais profundas que também sofrem alterações com o tempo.

“A cirurgia facial mais antiga tratava principalmente a pele. Com os estudos ao longo dos anos, percebeu-se que as estruturas profundas têm muita influência no envelhecimento: a musculatura e os compartimentos de gordura também vão cedendo. Hoje, o objetivo é tratar esses planos e reposicionar os tecidos, sem colocar toda a tensão sobre a pele”, explica.

Essa abordagem é conhecida como lifting em plano profundo, também chamado de deep plane facelift. De maneira simplificada, o procedimento trabalha abaixo das camadas superficiais da face para liberar e reposicionar músculos, ligamentos e compartimentos de gordura que perderam sustentação com o envelhecimento.

Diferentemente das técnicas concentradas principalmente na tração da pele, o deep plane facelift procura atuar sobre estruturas responsáveis pelo suporte do rosto. Com esse reposicionamento, a pele acompanha a nova organização dos tecidos, sem precisar receber toda a tensão da cirurgia.

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“Quando tratamos apenas a pele, o resultado imediato pode ser satisfatório, mas ela não possui estrutura para sustentar sozinha os tecidos que cederam. No plano profundo, conseguimos liberar e reposicionar essas estruturas, retirando apenas a quantidade de pele necessária e buscando preservar a naturalidade da face”, afirma Stella.

A técnica não é indicada da mesma forma para todas as pessoas. O planejamento deve considerar o grau de envelhecimento, a anatomia, a qualidade da pele, as condições clínicas e as expectativas do paciente.

Naturalidade é a principal preocupação

Para Stella, a dúvida mais frequente no consultório está relacionada ao receio de um resultado artificial. A proposta das técnicas contemporâneas não deve ser transformar as feições, mas reposicionar estruturas que se deslocaram durante o processo de envelhecimento.

“A conversa com a paciente é que ela deve continuar muito parecida com ela mesma, apenas com uma aparência mais jovem. Não é para hipercorrigir nem para fazer com que pareça outra pessoa. A ideia é reposicionar os tecidos e preservar a identidade facial”, ressalta.

O envelhecimento não acontece da mesma maneira em todas as regiões. Sobrancelhas, área ao redor dos olhos, maçãs do rosto, sulcos faciais, contorno da mandíbula e pescoço podem apresentar graus diferentes de flacidez.

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O planejamento pode abranger diferentes áreas da face. O terço superior inclui a região das sobrancelhas e dos olhos; os terços médio e inferior envolvem as maçãs do rosto, os sulcos e a linha mandibular. Quando existem alterações abaixo do contorno da mandíbula, o pescoço também pode ser tratado por meio de uma abordagem profunda, conhecida como deep neck.

O deep neck busca tratar estruturas profundas do pescoço que contribuem para a perda de definição da região. A necessidade dessa abordagem depende da anatomia e do grau de envelhecimento de cada paciente. Nem todas as pessoas precisam tratar face e pescoço no mesmo procedimento.

“A indicação não deve ser definida apenas pela idade. Existem pacientes mais jovens com queda importante dos tecidos e pessoas mais velhas com envelhecimento discreto. O que orienta a escolha é a anatomia e o grau de envelhecimento de cada face”, explica a cirurgiã.

Lifting endoscópico pode ser opção em casos selecionados

Em pacientes selecionados, também pode ser considerado o lifting endoscópico. Nesse procedimento, o acesso é realizado por pequenas incisões, frequentemente posicionadas no couro cabeludo, enquanto uma câmera auxilia a visualização das estruturas internas.

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Quando o acesso endoscópico é associado ao tratamento dos planos profundos, a abordagem também pode ser chamada de endo deep plane. A técnica pode ser utilizada para reposicionar estruturas do terço superior e médio da face, especialmente em casos de envelhecimento leve ou moderado.

A possibilidade de realizar uma cirurgia por incisões menores, no entanto, não significa que o método sirva para todos os casos. Pessoas com excesso expressivo de pele, flacidez mais avançada ou alterações importantes no pescoço podem precisar de acessos e estratégias diferentes.

“A cirurgia endoscópica permite alcançar os planos profundos por incisões menores, mas não é uma solução universal. Há pacientes que precisam de um tratamento mais localizado e outros que necessitam de uma abordagem mais ampla, inclusive do pescoço. A escolha deve acompanhar a anatomia, e não uma técnica previamente definida”, esclarece Stella.

Preenchimentos não substituem todos os tratamentos

A popularização dos preenchimentos e dos estimuladores de colágeno criou alternativas para quem deseja tratar sinais iniciais do envelhecimento sem cirurgia. Esses recursos podem ter indicação em determinados momentos, mas não solucionam todos os tipos de flacidez.

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Segundo a cirurgiã, o uso excessivo de volume pode alterar as proporções do rosto e afastar o resultado da naturalidade. Em algumas situações, continuar acrescentando produto não entrega o efeito desejado pelo paciente, especialmente quando a principal alteração está relacionada à queda dos tecidos.

“Existe um momento em que é preciso reconhecer até onde os procedimentos injetáveis podem ir. Quando a paciente deseja um resultado que depende do reposicionamento dos tecidos, acrescentar mais volume pode não ser a melhor estratégia. O planejamento precisa ter bom senso e respeitar a anatomia”, diz.

O histórico de procedimentos deve ser informado durante a consulta. Certos estimuladores de colágeno provocam uma reação de fibrose, processo no qual o organismo forma tecido mais aderido na região tratada. Isso não impede necessariamente uma cirurgia futura, mas pode tornar o descolamento dos tecidos mais complexo.

Já o ácido hialurônico pode ser dissolvido com uma enzima específica quando necessário. Substâncias permanentes ou não absorvíveis, por outro lado, exigem cautela adicional, pois não possuem o mesmo mecanismo de reversão e podem dificultar abordagens posteriores.

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Cirurgia e tratamentos de pele cumprem funções diferentes

O lifting facial reposiciona estruturas que perderam sustentação, mas não trata sozinho todos os componentes do envelhecimento. Manchas, alterações de textura, linhas superficiais e perda da qualidade da pele pertencem a outra dimensão do rejuvenescimento e podem exigir cuidados complementares.

De acordo com Stella, a cirurgia atua principalmente na posição dos tecidos profundos. Já os tratamentos realizados diretamente sobre a pele podem incluir, conforme avaliação individual, tecnologias a laser, peelings e outros procedimentos voltados à renovação cutânea.

“O lifting trata especialmente as estruturas profundas, mas não substitui os cuidados voltados à pele. Em alguns casos, podemos associar procedimentos como laser de CO₂, peeling ou técnicas com gordura processada para trabalhar textura e qualidade cutânea. Cada recurso possui uma finalidade diferente dentro do planejamento”, esclarece.

Na transcrição, Stella também menciona a nanofat, técnica que utiliza gordura processada do próprio paciente para aplicação em camadas superficiais da pele. Segundo a cirurgiã, o recurso pode ser considerado em determinados casos como parte de um planejamento voltado à qualidade cutânea.

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A toxina botulínica também pode continuar fazendo parte do acompanhamento, sobretudo para controlar marcas relacionadas à movimentação dos músculos da face. O uso de preenchedores ou estimuladores de colágeno, por sua vez, deve ser avaliado com cautela, considerando o resultado da cirurgia, o histórico do paciente e a região a ser tratada.

Esses procedimentos não devem ser entendidos como uma forma de impedir o envelhecimento. Mesmo após o lifting, o organismo continua perdendo colágeno, enquanto fatores como exposição solar, hábitos de vida e características individuais seguem influenciando a aparência da pele.

“A cirurgia reposiciona o que cedeu, mas não interrompe o tempo. Depois da recuperação, o paciente continua precisando cuidar da pele e manter um acompanhamento coerente com suas necessidades. O objetivo é conduzir o envelhecimento de forma planejada, e não criar a expectativa de um resultado permanente e imutável”, afirma.

Por isso, o rejuvenescimento facial pode ser compreendido como uma construção composta por diferentes etapas. A cirurgia trata a posição e a sustentação dos tecidos; os procedimentos complementares atuam sobre a superfície e a qualidade da pele; e os cuidados cotidianos ajudam a preservar sua saúde ao longo do tempo.

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A combinação dessas estratégias não é obrigatória nem deve seguir um protocolo igual para todos. A indicação depende da avaliação médica, das condições clínicas, do grau de envelhecimento e das expectativas de cada paciente.

Cirurgia não interrompe o envelhecimento

O lifting facial pode reposicionar estruturas, mas não interrompe o processo natural de envelhecimento. Com o passar do tempo, continuam ocorrendo perda de colágeno, alterações da pele e efeitos relacionados à exposição solar e aos hábitos de vida.

Por esse motivo, os cuidados após a recuperação podem incluir acompanhamento dermatológico, proteção solar e, conforme avaliação individual, tratamentos voltados à qualidade da pele.

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Além da análise física, o alinhamento de expectativas é parte essencial do planejamento. Fotografias de referência podem ajudar o profissional a compreender o que o paciente considera natural ou desejável, mas não devem ser interpretadas como garantia de reprodução de outro rosto.

O resultado possível depende de características próprias, como estrutura óssea, espessura da pele, distribuição de gordura, flacidez e cicatrização. Quando a expectativa é incompatível com a anatomia ou quando há sinais de percepção distorcida da própria imagem, a conduta pode ser adiar ou não indicar a cirurgia.

A decisão deve ocorrer após consulta médica completa, avaliação das condições clínicas e esclarecimento sobre limitações, cicatrizes, recuperação e possíveis riscos. Mais do que escolher uma técnica pelo nome, o paciente precisa compreender qual abordagem é adequada ao seu caso e quais resultados podem ser buscados de maneira realista.

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Quem é Stella Amorim

Natural do interior de Goiás e criada em Ilhéus, na Bahia, Stella Amorim chegou à medicina sem referências familiares na profissão. O interesse pelo funcionamento do corpo humano orientou sua escolha ainda no período escolar, enquanto a aproximação com a cirurgia ocorreu durante a graduação, a partir do contato com os estágios de trauma e outras áreas cirúrgicas.

Formada em medicina em 2009 pela Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, construiu sua formação em diferentes hospitais públicos da cidade. Realizou residência médica em cirurgia geral no Hospital Municipal Souza Aguiar, seguiu para a cirurgia do trauma no Hospital Municipal Miguel Couto e concluiu a residência em cirurgia plástica no Hospital Municipal Barata Ribeiro.

A atividade acadêmica passou a ocupar um espaço permanente em sua trajetória após a formação como cirurgiã plástica. Além da prática assistencial, Stella dedica-se ao ensino de médicos residentes e, desde agosto de 2022, atua na chefia de um serviço de residência médica em cirurgia plástica.

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Atualmente, atende no Rio de Janeiro e em Niterói, com atuação em cirurgias da face, do nariz, das mamas e do contorno corporal, além de procedimentos reconstrutores. Sua abordagem associa avaliação clínica, planejamento individualizado e acompanhamento próximo, com atenção não apenas às características físicas, mas também às expectativas, aos receios e às condições de saúde de cada paciente.

CRM-RJ 5296944-3 | RQE 32785Instagram: @drastellaamorim

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