Medo na Vila Matilde: outro prédio da New Home ameaça desabar
Prédio construído pela mesma empresa responsável por desabamento que matou seis pessoas apresenta rachaduras e sinais de umidade, segundo vizinhos

Moradores da Vila Matilde, na Zona Leste de São Paulo, estão apreensivos com as condições de um prédio construído pela Construtora New Home, responsável pelo edifício que desabou sobre uma casa no último fim de semana e deixou seis mortos.
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O imóvel fica na Rua Amaro Bezerra Cavalcanti. Segundo vizinhos, a estrutura apresenta rachaduras, sinais de umidade e aparenta estar inclinada. Depois do desabamento, moradores passaram a se reunir para discutir a situação e buscar informações sobre a segurança do prédio.
"A minha casa, quando chove, molha tudo depois do prédio. Enche a casa de terra, de areia, não 'tô' aguentando mais. Eu tô com muito medo, não tô dormindo à noite quase, porque o prédio, 'pra' mim, eu olho assim, parece que tá torto. E eu já sou uma senhora de idade, como vocês sabem, e eu tô desesperada. Eu até, por mim, ainda fica assim, né? Pelo menos eu já vivi muito, mas e as minhas crianças?", desabafa Maria.
A BandNews FM procurou a Construtora New Home para obter esclarecimentos sobre as condições do prédio, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.
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Investigação
A Polícia Civil confirmou que deve indiciar pelo menos quatro pessoas pela queda do edifício que atingiu uma casa no fim de semana. Os investigados devem responder por homicídio com dolo eventual, quando há, segundo a legislação penal, assunção do risco de produzir o resultado.
Ronaldo dos Santos Vivaqua está preso. Outros dois investigados são considerados foragidos. A polícia também apura a conduta de uma fiscal municipal que teria atestado falsamente a demolição da estrutura.
A servidora da Subprefeitura da Penha, Viviane Rodrigues de Palma, foi ouvida pela Controladoria Geral do Município nesta terça-feira (15). Na saída, ela se defendeu das acusações.
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"Em momento algum eu declarei que aquela edificação teria sido demolida. Em momento algum eu declarei que não tinha segurança mesmo, porque não é a minha competência conferir a segurança naquele momento da vistoria. Posso declarar e não tenho problema nenhum em falar que eu acho que a construtora usou de má fé desde o início, quando não desembargou, quando aprovou um assunto diferente do que existia lá, quando inseriu dados num sistema que é uma aprovação que tenta agilizar para os moradores ter um alvará mais rápido, eles que inseriram os dados.", disse a fiscal.
Também nesta terça, a defesa de Ronaldo Vivaqua, apontado como sócio oculto da construtora envolvida no desabamento, pediu à Justiça a substituição da prisão temporária por prisão domiciliar.
Vivaqua, de 63 anos, está detido desde domingo (13). Os advogados alegam que ele tem idade avançada e problemas de saúde que, segundo a defesa, tornam inadequada a permanência em uma unidade prisional.
