No Ritmo Delas: quando a gente descobre que ainda pode
Há algum tempo, eu comecei a me perguntar quantas mulheres chegam aos 40 e, sem perceber, passam a acreditar que precisam permanecer exatamente onde estão: na p

Há algum tempo, eu comecei a me perguntar quantas mulheres chegam aos 40 e, sem perceber, passam a acreditar que precisam permanecer exatamente onde estão: na profissão, na rotina, no corpo, nos relacionamentos e na vida.
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Como se, depois de tantos anos construindo uma história, não fosse mais permitido mudar de direção. Como se aquilo que fizemos aos 20 ou aos 30 definisse para sempre quem seremos aos 40, aos 50, aos 60.
Foi dessa inquietação e também de uma experiência muito pessoal de superação, que nasceu o No Ritmo Delas. Eu queria falar com mulheres que, assim como eu, descobriram que a maturidade não está num lugar de acomodação. Pelo contrário. Pode ser o momento em que finalmente entendemos que podemos nos escolher.
Foi ouvindo tantas histórias de mulheres 40+ que mudaram de profissão, fizeram transições de carreira, começaram novos projetos, terminaram relacionamentos, recomeçaram, estudaram, empreenderam e descobriram novos sonhos que percebi uma coisa: a nossa idade não pode ser uma sentença.
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Eu mesma ainda não fiz uma transição de carreira e talvez nem queira fazer. Eu amo o jornalismo, amo o que faço e construí uma história profissional da qual me orgulho. Também não acredito que precisamos abandonar tudo o que construímos para provar que somos capazes de recomeçar. A família também é parte dessa construção. Filhos, responsabilidades, afetos, escolhas. Não trata-se de “largar tudo”, mas sim de não se abandonar no meio de tudo isso. Foi nesse espírito que aceitei meu primeiro desafio, o do carnaval e depois dele, veio um segundo: o Dr. Fábio, presidente da Unimed São José dos Campos, atleta e corredor, me fez uma provocação que parecia simples: “Então corre. Se você nunca correu, corre.”
Eu aceitei!
Assim como aceitei tantos outros desafios ao longo dessa trajetória, no primeiro momento com aquela coragem quase inconsequente de quem pensa: “Depois eu vejo como vou fazer”.
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Só que, entre fevereiro e agosto, eu descobri que correr não estava me fazendo bem. Eu tentei treinar, criar uma rotina, mas aquilo começou a me angustiar. A corrida ocupava um espaço do meu dia que, naquele momento, eu queria dedicar a outras coisas... não estava me trazendo prazer. E eu quase desisti.
Mas havia uma coisa que eu não conseguia ignorar: eu tinha dado a minha palavra! Não apenas para o Dr. Fábio, não apenas para o projeto, para o Grupo BandVale, que acredita no No Ritmo Delas e abriu espaço para que essa história pudesse chegar a tantas mulheres.
Eu tinha dado a palavra para mim! E talvez essa tenha sido a parte mais difícil de compreender.
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No último final de semana, participei da Taubaté Marathon, a primeira maratona da cidade de Taubaté. Através da ZBR, do Rafael Zobaran, também tive a oportunidade de experimentar a corrida em Igaratá e entender um pouco mais daquele universo.
Mas, no sábado, eu tinha decidido que não iria! Eu estava vivendo dias difíceis, dores emocionais, questões pessoais, questões de saúde, angústias, tristezas. Havia motivos de sobra para ficar na cama. E, sinceramente, eu queria ficar.
Só que alguma coisa dentro de mim dizia que desistir daquela corrida seria muito mais doloroso do que enfrentar aqueles cinco quilômetros. Não queria decepcionar ninguém, mas, principalmente, não queria decepcionar a mim mesma.
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Às 4h30 da manhã, eu levantei, tomei banho, tomei apenas um café, porque nunca tinha corrido e não queria sentir o peso de uma alimentação antes da prova, e fui.
Eu nunca tinha corrido cinco quilômetros. Na verdade, nunca tinha corrido dois quilômetros de forma contínua.
E ali estava eu: na largada, com medo, insegura, emocionalmente cansada e, ainda assim, determinada.
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Corri os cinco quilômetros em 38 minutos!
Quando terminei, aconteceu uma coisa que nenhuma planilha de treinamento poderia explicar: eu chorei, não necessariamente de cansaço: chorei porque percebi que, às vezes, a gente passa tanto tempo acreditando que não consegue que esquece de descobrir o que acontece quando simplesmente tenta.
A corrida não foi sobre tempo, performance ou chegar na frente de ninguém.
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Foi sobre chegar até mim. Foi para provar para a mulher que eu sou hoje que aquela menina que começou a construir uma vida, uma carreira, uma família e tantos sonhos ainda está aqui.
E que ela pode: começar, recomeçar, mudar, continuar, dizer não, dizer sim, escolher outro caminho, permanecer onde está porque ama o que construiu.
Talvez seja essa a essência do No Ritmo Delas. Não existe um ritmo certo para uma mulher: existe o ritmo que faz sentido para ela.
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E, naquele domingo, eu encontrei o meu. Quando terminei a corrida, meu celular estava cheio de mensagens. Foi, talvez, o maior retorno que já recebi nas minhas redes sociais. Diversas pessoas me parabenizando, que acompanharam cada etapa, gente que se emocionou comigo, que torceu, que se viu naquela história.
E foi aí que eu entendi que o maior resultado daquela corrida não estava nos cinco quilômetros: estava na conexão verdadeira, humana, imperfeita...
A conexão de quem olha para a trajetória de outra mulher e pensa: “Se ela conseguiu, talvez eu também consiga.”
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É por isso que eu agradeço profundamente a cada pessoa que acreditou em mim, ao Grupo BandVale, aos parceiros do No Ritmo Delas, aos profissionais que caminham comigo e, principalmente, a cada mulher que acompanha essa história.
Vocês talvez nem saibam, mas muitas vezes são vocês que me fazem continuar.
Eu comecei esse projeto querendo mostrar que mulheres 40+ podem.
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E, todos os dias, sou eu quem aprende que pode. A minha primeira corrida terminou.
Mas a história, não. Agora eu sei uma coisa que vou carregar para o resto da minha vida:
toda vez que eu achar que não consigo, vou me lembrar daquela mulher que acordou às 4h30 da manhã, com medo, triste, cheia de dúvidas e correu!
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Estou longe de ser a mais preparada, a mais rápida, ter o melhor treinamento... Só decidi não desistir de mim e isso, mudou tudo!!!
E, se você está lendo essa coluna e tem mais de 40, eu quero que você guarde isso: ainda dá tempo.
No seu ritmo.
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No Ritmo Delas.
E o meu ritmo, agora, definitivamente não para mais.
