O Vale do Paraíba como polo de produção audiovisual
Produções feitas na região, por profissionais locais, revelam grande potencial do Vale.

Para os amantes do cinema, assistir um bom filme é o melhor dos programas, seja em casa ou no cinema mais próximo. Desde muito cedo, as grandes produções de Hollywood estão presentes em nosso cotidiano. Mas você já parou para pensar que boas produções podem nascer aqui, em nossa região?
Continua depois da publicidade
O CENÁRIO DO CINEMA NO VALE
As raízes do audiovisual na região passam pela cidade de Taubaté. Lá, o país conheceu um dos maiores ícones do cinema brasileiro: Amácio Mazzaropi.
O ator, diretor e produtor marcou época com suas comédias que retratavam de forma única, o jeito simples e autêntico do povo brasileiro. Ao longo de sua carreira, Mazzaropi produziu e protagonizou dezenas de filmes que se tornaram clássicos nacionais.
Continua depois da publicidade
Com uma linguagem acessível e um humor cativante, suas obras conquistaram o coração do público brasileiro, tornando-se parte fundamental da cultura cinematográfica do país. Muitos desses filmes, produzidos por Mazzaropi, foram ambientados e gravados em Taubaté e arredores, enriquecendo ainda mais a conexão entre o artista e a cidade.
E nos últimos anos, o Vale do Paraíba voltou a ter destaque como um promissor polo de produção audiovisual no Brasil. Tudo começa, pela mistura única de belezas naturais, infraestrutura urbana, mão de obra qualificada e a proximidade com a capital paulista. Sendo assim, a região atrai a atenção de produtores, diretores e investidores do setor.
Algumas produções de grande expressão passaram por aqui nos últimos anos. Um bom exemplo é o longa-metragem “Aparecida: o Milagre”, produzido em 2010, estrelado por Murilo Rosa, e Dirigido por Tizuka Yamasaki. Em algumas cenas, é possível perceber que a casa em que o protagonista vive, é na verdade a Residência Olivio Gomes, localizada no Parque Roberto Burle Marx, em?São José dos Campos.
Continua depois da publicidade
Outro caso é o filme “Entre nós”, produzido em 2013 e dirigido por Paulo Morelli. A produção reuniu nomes de peso como?Carolina Dieckmann,?Caio Blat,?Paulo Vilhena e Maria Ribeiro. O enredo se desenvolve na década de 90, em meio às montanhas da Serra da Mantiqueira, no distrito de São Francisco Xavier. A escolha da locação se deu pela relação do diretor Morelli com a região, onde possui uma casa há mais de dez anos.
Entretanto, além de atrair os olhares de fora, o Vale do Paraíba também tem inúmeras produções locais. Uma delas, é o longa “Bicho Rei", recém-filmado, em Janeiro de 2024, em Taubaté, e que está na fase de pós-produção. A direção geral, roteiro e montagem são de Catarina de Castro, investidora e realizadora da obra. A argumentação é por conta de Gui Alves e do taubateano Lucci Antunes Lucci, que também assina a direção de fotografia.
A cidade de Taubaté teve grande influência sobre a produção.
Continua depois da publicidade
“É impossível a gente não falar de Mazzaropi quando fala de uma referência local. Além de gostar muito dos filmes do Mazzaropi, a gente tem uma admiração muito grande pelo administrador que ele foi. Ele executava várias funções e conseguiu fazer um cinema popular de altíssima qualidade. Então a gente vê no Mazzaropi uma grande inspiração de alguém que fez um cinema independente e se tornou talvez o maior cineasta brasileiro independente, que fazia cinema com seu próprio dinheiro, com dinheiro de bilheteria. Isso nos dá uma grande inspiração pra fazer. E se vê aqui na nossa cidade.” Conta.
Para a diretora-geral da obra, Catarina, além de grandes influências, a paixão também é importante ao produzir uma obra:
“Acho que a dedicação tem que ser proporcional ao sucesso que você quer obter no cinema. Porque para a maioria das pessoas é muito difícil, como qualquer coisa. Então eu acho que é persistência e dedicação 100%. E acho que a principal coisa delas é você acordar todos os dias e ser o seu principal motivador, porque às vezes a gente fica esperando que a motivação venha de fora e muitas vezes não há. Às vezes a gente acaba desanimando por causa disso, mas a pessoa que tem que ser o seu principal motivador. E acreditar, ir atrás e não ter medo, não ter medo de nada.”
Com tantos pontos positivos que envolvem a região para um cenário promissor do cinema, cada vez mais o Vale do Paraíba torna-se um campeão em produções de filmes, novelas e séries.
E uma dica para quem tem um projeto audiovisual e quer dar um “ponta-pé” inicial, é importante lembrar que, aqueles que têm a vontade de lançar um projeto audiovisual, podem recorrer a programas de incentivo à cultura, como a lei Paulo Gustavo, lei Aldir Blanc ou outras leis de incentivo à Cultura.
Continua depois da publicidade
Por Pamella LimaEstagiária* - projeto sob supervisão de Nelson Gazolla - MTb: 74.409/SPDireção de Conteúdo - Cláudio Nicolini
