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Justiça Federal e OAB promovem inclusão digital para idosos em Sorocaba

Projeto Digital 60+ reúne participantes no Clube do Idoso com atividades práticas sobre segurança, autonomia, informação

5 min

02/10/2026 08:08 • Atualizado há 35 min

Justiça Federal e OAB promovem inclusão digital para idosos em Sorocaba

Evento reuniu participantes no Clube do Idoso de Sorocaba (SP)

Divulgação

A Justiça Federal de Sorocaba (SP) e a Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Subseção Sorocaba realizaram, na quarta-feira (30/9), no Clube do Idoso de Sorocaba, uma ação de inclusão digital voltada à população idosa. O encontro integra o projeto Digital 60+, iniciativa destinada a ampliar a segurança, a autonomia e a confiança no uso do celular no dia a dia.

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De acordo com a Justiça Federal e OAB, a atividade foi estruturada para um público que já utiliza o telefone celular em tarefas cotidianas, como ligações, WhatsApp e, em alguns casos, serviços bancários e Pix, mas que ainda enfrenta insegurança diante de golpes, configurações do aparelho, privacidade e circulação de informações na internet. A proposta, portanto, não é oferecer uma aula tradicional de tecnologia, mas trabalhar situações concretas por meio de pequenas conquistas práticas.

A turma reuniu 34 participantes e contou com o apoio de 10 monitores, entre servidores e advogados voluntários. Com duração aproximada de três horas, o encontro foi organizado em microatividades realizadas no próprio aparelho de cada participante. O método segue uma sequência simples: explicar a utilidade da ação, demonstrar o passo a passo, permitir que cada pessoa pratique no próprio celular, oferecer apoio individual e, ao final, reforçar o aprendizado.

Presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da OAB Sorocaba, a advogada Viviane Dias Lopes destacou, na abertura, a parceria entre as instituições para a realização do curso e a importância de proporcionar um espaço em que as pessoas idosas possam aprender, esclarecer dúvidas e se proteger no ambiente digital. Ela também ressaltou que a atividade foi pensada para aproximar o conteúdo da rotina dos participantes e permitir a prática acompanhada.

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O presidente da OAB Sorocaba, João Paulo Milano, também participou da abertura e enfatizou a relevância da parceria institucional em uma iniciativa voltada à cidadania e à proteção da pessoa idosa. A ação busca contribuir para que o uso da tecnologia ocorra com mais confiança e informação, especialmente diante da presença cada vez maior dos serviços digitais na vida cotidiana.

Cidadania também passa pela inclusão digital

O juiz federal diretor da Subseção Judiciária de Sorocaba, Luís Antônio Zanluca, explicou aos participantes por que a Justiça Federal integra o projeto e destacou que a atuação do Poder Judiciário vai além da atividade jurisdicional. Segundo o magistrado, a promoção da cidadania também envolve a proteção da pessoa, a dignidade humana e a participação consciente na sociedade.

“A Justiça não é apenas um juiz exercendo sua função. O Poder Judiciário também tem uma preocupação com uma sociedade pacífica, com a proteção da pessoa, com a dignidade humana e com a cidadania”, afirmou.

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Zanluca ressaltou ainda que, em uma sociedade cada vez mais conectada, saber utilizar o celular e acessar informações com segurança tornou-se parte importante do exercício da cidadania. “Hoje, grande parte da leitura, das notícias e das informações chega pelo celular. Por isso, essa integração de todas as pessoas, inclusive as mais experientes, é importante para a sociedade e para o Brasil”, acrescentou.

Ao finalizar a fala de abertura, o magistrado reforçou a importância dos participantes para a vida em sociedade: “Vocês são e continuarão a ser pessoas importantes para a sociedade e para os destinos do país. Sintam-se em casa e que tenhamos uma bela e abençoada manhã”.

Aprendizado prático e proteção no ambiente digital

Responsável por conduzir a atividade, o diretor do Juizado Especial Federal, Michel de Oliveira Honório apresentou a dinâmica do encontro e explicou que a proposta era ajudar os participantes a aproveitar melhor os recursos do celular, com mais segurança e autonomia. Ele ressaltou que o objetivo não era criar medo da tecnologia, mas desenvolver atenção diante de links, imagens e mensagens que possam representar riscos ou armadilhas.

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“A ideia é aproveitar o celular da melhor forma, sem medo, mas sabendo avaliar se aquilo é confiável ou se pode representar algum problema ou alguma armadilha. Vamos buscar entregar o melhor para que vocês saiam daqui com mais informações para aplicar no dia a dia”, afirmou Michel.

O conteúdo do Digital 60+ é dividido em cinco eixos: segurança digital; fake news e informação confiável; controle do próprio celular; conhecimento e,utilidade; e comunicação, redes e lazer. Ao longo das atividades, os participantes aprendem, entre outros pontos, a reconhecer sinais de golpes, conferir fonte e data de conteúdos antes de compartilhá-los, ajustar recursos do aparelho, pesquisar serviços e informações úteis e utilizar ferramentas de comunicação e redes sociais com maior privacidade.

Um dos princípios centrais do projeto é preservar a autonomia dos participantes. Durante as atividades, o celular permanece nas mãos do próprio aluno. Os monitores orientam verbalmente e apontam os caminhos na tela, sem digitar senhas, PINs, códigos ou dados pessoais e sem acessar aplicativos bancários, conversas privadas ou fotografias. A orientação é que cada participante execute as ações e compreenda o caminho realizado, em vez de receber a tarefa pronta.

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A metodologia também respeita os diferentes ritmos de aprendizagem. Quem conclui uma atividade antes é incentivado a repetir a mesma operação para fixar o conteúdo, enquanto os monitores auxiliam quem precisa de mais tempo. A equipe foi orientada a utilizar linguagem adulta, clara e tranquila, evitando excesso de termos técnicos e priorizando um único caminho para cada função do aparelho, de forma a facilitar a memorização.

As atividades foram classificadas por prioridade, com foco inicial na proteção contra fraudes e na autonomia básica. Em seguida, o curso avança para o controle do aparelho, o acesso a informações confiáveis, a comunicação e outras possibilidades de uso. A lógica do projeto é que o celular esteja a serviço do participante, que deve ser capaz de escolher, conferir e decidir por conta própria.

A iniciativa reforça o papel da inclusão digital como instrumento de cidadania. Ao ampliar o conhecimento sobre recursos presentes no próprio celular e ensinar medidas simples de proteção, o Digital 60+ busca reduzir inseguranças e favorecer uma relação mais independente e consciente com a tecnologia.