Obras deixam comerciantes à beira da falência em bairro na Zona Sul de SP
Interdição total da Avenida Cecília Lottenberg para a construção de um túnel reduz o movimento do comércio

Obras deixam comerciantes à beira da falência em bairro na Zona Sul de SP
Reprodução/Band
Obras para a construção de um túnel na Avenida Cecília Lottenberg, localizada no bairro Chácara Santo Antônio, na zona sul de São Paulo, têm causado sérios prejuízos financeiros a dezenas de comerciantes da região. O projeto da prefeitura tem como objetivo beneficiar mais de 260 mil pessoas ao desafogar o trânsito local, mas a interdição total da via e o impacto gerado desde julho do ano passado deixaram empresários à beira da falência durante o período festivo de fim de ano.
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Aldo Bezerra dos Santos, proprietário de dois restaurantes no local, relata uma queda de 40% no movimento e no faturamento desde o início das intervenções. Antes das obras, um de seus estabelecimentos recebia cerca de 140 clientes por dia, número que despencou para 40. Além do barulho ininterrupto de máquinas e equipamentos pesados, a situação afeta o planejamento para o pagamento do décimo terceiro salário aos funcionários.
Prejuízos generalizados e fechamento de comércios
A região abriga cinco grandes empresas corporativas que movimentam cerca de 10 mil funcionários no horário do almoço. Contudo, com o bloqueio total e o fechamento da travessia para pedestres, os clientes precisam caminhar cerca de um quilômetro a mais para acessar os estabelecimentos, o que desestimula a frequência ao comércio local.
Nayara Costa, proprietária do restaurante Brilho do Sertão, alugou um imóvel na rua de trás após reformar um espaço e permanecer nele por apenas seis meses. A comerciante afirma que foi informada pela prefeitura de que o acesso de pedestres seria mantido, o que não ocorreu, resultando em dívidas e na necessidade de reduzir o quadro de funcionários, obrigando a família a assumir diretamente as operações.
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Ailton Santos, proprietário de um salão de beleza que se mudou para o bairro em busca de novas oportunidades após ser vítima de assaltos, registrou uma redução de cerca de 30% no movimento. Segundo ele, nenhum representante público procurou os lojistas para antecipar os impactos da intervenção urbana.
Reivindicações e impactos para moradores
A Associação de Moradores e Amigos da Chácara Santo Antônio (Ama) cobra um canal de diálogo direto com o poder público para mitigar os transtornos. A entidade sugere a criação de alternativas, como a disponibilização de um transporte temporário por ônibus e a elaboração de uma passagem restrita e controlada para pedestres. De acordo com a advogada da associação, Rowena Santoro, reuniões com a prefeitura só foram agendadas após o anúncio da cobertura jornalística da Band.
Os transtornos também afetam moradores e frequentadores de flats e hotéis na região, que precisaram alugar acessos por estacionamentos para garantir a circulação segura sem percorrer longas distâncias a pé.
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Posicionamento da Prefeitura de São Paulo
Em nota oficial encaminhada à produção do programa Brasil Urgente, a Prefeitura de São Paulo informou que a interdição temporária da rua é indispensável devido à complexidade da obra e às escavações profundas necessárias para garantir a segurança da população.
O órgão público ressaltou que promoveu reuniões com moradores e comerciantes, manteve equipes de comunicação social à disposição e orientou os interessados a buscarem os departamentos competentes para solicitar avaliações individuais de cada caso. A conclusão das obras está prevista para o primeiro semestre do próximo ano.
