Operação Crédito Oculto mira empresa em Paulínia por lavagem de capitais
Ação cumpre mandado de busca contra empresa no município em força-tarefa contra fraude no setor de combustíveis

Uma pessoa jurídica de Paulínia (SP) foi um dos alvos de mandados de buscas e apreensão cumpridoso durante a Operação Crédito Oculto. A ação foi deflagrada nesta quinta-feira (24), com o objetivo de para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Continua depois da publicidade
Ao todo, a operação cumpre 32 mandados de busca e apreensão em sete estados, sendo 13 voltados a pessoas físicas e 19 a pessoas jurídicas. O estado de São Paulo concentra a maior parte das ordens judiciais, com 26 alvos distribuídos entre a capital e municípios do interior e da Região Metropolitana, como Paulínia, Barueri, Cotia, Guarulhos e São José dos Campos.

A força-tarefa é integrada pela Receita Federal, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, pela Secretaria da Fazenda de SP, pela Procuradoria Geral do Estado de SP e pelas polícias Civil e Militar. A ação contou ainda com o apoio de equipes do Gaeco nos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Esquema bilionário no setor de combustíveis

A Operação Crédito Oculto é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e busca combater a atuação de uma organização criminosa que utilizava engenharia financeira sofisticada para ocultar os reais proprietários de uma usina sucroalcooleira e viabilizar a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
Continua depois da publicidade
🔎 O que é sucroalcooleira: hoje, também chamado de sucroenergético, é o segmento da agroindústria dedicado ao cultivo da cana-de-açúcar e à sua transformação industrial em açúcar, etanol (álcool combustível) e bioenergia.
Segundo as investigações, a usina recebeu R$ 100 milhões repassados pela organização por meio de contas gráficas e "contas de passagem" em fintechs. O montante foi posteriormente canalizado para fundos de investimento e operações vinculadas a Certificados de Depósito Bancário (CDB) para capitalizar empresas de fachada e concretizar a compra da distribuidora.
A apuração aponta também o uso de fundos imobiliários, holdings e empresas patrimoniais para blindar bens e ocultar os verdadeiros beneficiários. Apenas a empresa financeira envolvida nas operações simuladas ligadas à usina movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre os anos de 2021 e 2025.
