Pedro Hamra explica quando a dor no quadril deve exigir investigação
O cirurgião ortopedista com atuação em quadril e trauma ortopédico, explica sintomas, prevenção, cirurgia, prótese e avanços no tratamento

Dor no quadril não deve ser vista como algo normal quando começa a interferir na rotina. O sintoma pode estar ligado a desgaste articular, alterações musculares, inflamações, impacto femoroacetabular e até doenças ósseas mais complexas, como a osteonecrose. Segundo o ortopedista Pedro Hamra, o principal sinal de alerta é quando a queixa deixa de ser pontual e passa a comprometer o movimento, sono, trabalho e autonomia.
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“Uma dor eventual pode surgir depois de esforço, sobrecarga ou de um movimento mal executado. O que muda o peso desse sintoma é a persistência, a recorrência e o impacto funcional que ele passa a causar. Quando o paciente começa a ter limitação na marcha, no sono, no trabalho ou atividades simples do dia a dia, já não se trata de um desconforto banal, mas de um quadro que merece investigação”, afirma.
A região do quadril tem papel central na biomecânica do corpo. Por isso, alterações nessa articulação costumam repercutir em tarefas básicas, como sentar, levantar, caminhar, vestir calçados e subir escadas. O médico ressalta que esse quadro não se restringe a pacientes idosos. Embora a artrose seja uma das causas mais conhecidas, há também situações relacionadas à anatomia individual, a lesões musculares, a traumas, sequelas e alterações no tecido ósseo.
Entre os diagnósticos mais frequentes em sua prática estão artrose, osteonecrose, tendinites, lesões musculares e impacto femoroacetabular, condição em que o encaixe anatômico entre a cabeça do fêmur e a bacia ocorre de forma inadequada. Em cada caso, a definição do tratamento depende do tipo de lesão, da fase em que o problema é identificado e da limitação que ele provoca na vida do paciente.
“A idade cronológica, isoladamente, diz pouco. O que orienta a conduta é a combinação entre exame clínico, imagem, grau de degeneração e, principalmente, o que esse quadro representa na vida concreta do paciente. Há pessoas mais velhas com boa função articular e pacientes jovens com comprometimento importante. Por isso, a decisão não pode ser automática nem baseada apenas na idade”, explica.
Osteonecrose, desgaste e outras causas de dor no quadril
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Um dos quadros que mais geram dúvida, segundo Hamra, é a osteonecrose do quadril. Ele explica que se trata de uma alteração em que o tecido ósseo deixa de receber irrigação de oxigênio e nutrientes de forma adequada, passando a sofrer morte celular. Sem avaliação, o problema pode evoluir e comprometer a articulação.
“A osteonecrose exige atenção porque nem sempre começa com manifestações exuberantes. Em fases mais precoces, quando o diagnóstico é feito de maneira oportuna, em muitos casos ainda é possível ampliar as alternativas terapêuticas e evitar abordagens mais invasivas. Negligenciar uma dor persistente pode significar perder um tempo importante na condução do caso”, diz.
Além da osteonecrose, a artrose permanece como o diagnóstico de complicação avançada mais recorrente, especialmente quando há desgaste da articulação. Também aparecem tendinites, lesões musculares e alterações de impacto femoroacetabular. O ponto em comum entre esses quadros é que todos podem causar dor, comprometer mobilidade e qualidade de vida, ainda que em intensidades diferentes.
Prevenção e tratamento antes de pensar em cirurgia
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Nem toda dor no quadril leva à cirurgia. Em muitos pacientes, a primeira etapa do tratamento passa por fortalecimento muscular, melhora do condicionamento físico, ajustes na rotina e medidas clínicas indicadas após avaliação individual. A prevenção, segundo o ortopedista, segue como um dos pilares mais importantes do cuidado.
“Um corpo ativo, bem fortalecido e funcional tende a lidar melhor com sobrecarga, envelhecimento e processo degenerativo. Isso não significa eliminar todo risco, mas oferecer melhores condições biomecânicas para preservar movimento e qualidade de vida por mais tempo”, afirma.
Em situações específicas, podem ser considerados recursos como infiltrações e outras abordagens mais conservadoras. A indicação, porém, não segue fórmula única. O mesmo exame pode ter significados diferentes em pacientes distintos, dependendo da dor, do grau de limitação e do que se pretende recuperar com o tratamento.
Hamra lembra ainda que a dor no quadril não afeta apenas a articulação. Quando persiste, pode alterar humor, autoconfiança e independência. Por isso, o tratamento não deve olhar apenas para o achado técnico.
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“A limitação não atinge apenas a articulação. Ela alcança a autoconfiança, o humor, a rotina e, muitas vezes, a identidade daquela pessoa. Quando alguém deixa de trabalhar, de praticar atividade física ou de realizar tarefas simples sem ajuda, a dor deixa de ser apenas ortopédica e passa a repercutir em toda a experiência de vida do paciente”, observa.
Quando a prótese passa a ser considerada
A cirurgia costuma entrar em cena quando há desgaste avançado, deformidade articular, dor persistente e prejuízo importante de função. Ainda assim, Hamra destaca que a prótese não deve ser encarada como resposta automática para qualquer alteração do quadril.
“A indicação cirúrgica precisa nascer de uma análise cuidadosa. Não basta identificar a doença no exame; é preciso entender o grau de sofrimento, a perda funcional, a expectativa de recuperação e a realidade de vida do paciente. A medicina não pode tratar apenas a articulação; ela precisa tratar a pessoa que convive com aquela limitação”, afirma.
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A prótese ainda desperta resistência em muitos pacientes. No consultório, o médico relata dúvidas recorrentes sobre anestesia, dor pós-operatória, tempo de reabilitação, tamanho da incisão e possibilidade de não voltar a andar com segurança. Parte desses receios, segundo ele, está associada a uma imagem antiga do procedimento.
“Durante muito tempo, a cirurgia do quadril foi caracterizada como algo extremamente agressivo, com restrições prolongadas e recuperação difícil. Hoje, com a evolução de técnicas menos invasivas, materiais modernos e planejamento cirúrgico com extenso aparato computadorizado e robótico, esse cenário pode ser bastante diferente em pacientes com indicação apropriada. Isso não significa simplificar a cirurgia, mas reconhecer que as técnicas e ferramentas evoluíram e que o pós-operatório pode ser conduzido com outra perspectiva”, explica.
Ainda assim, ele reforça que a operação é apenas uma etapa. Fortalecimento, fisioterapia, reabilitação e participação ativa do paciente continuam sendo partes decisivas do processo.
O papel da tecnologia no tratamento do quadril
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A área também passou a contar com recursos tecnológicos que ajudam no planejamento e na execução de alguns procedimentos. Hamra cita cirurgia robótica, navegação computadorizada e técnicas menos invasivas como ferramentas que podem contribuir para maior precisão, melhores resultados e reabilitação, sempre dentro de indicação adequada.
“A tecnologia deve ser incorporada como instrumento de aprimoramento, pois quando bem indicada, ela pode contribuir para um planejamento mais refinado e para uma execução mais precisa. Mas nenhum recurso tecnológico substitui o julgamento clínico e técnico do cirurgião. A base continua sendo decidir para quem, em que momento e por que determinado tratamento faz sentido”, pondera.
Essa cautela, segundo ele, é importante para evitar a ideia de que a inovação resolve tudo sozinha. O tratamento do quadril continua dependendo de diagnóstico correto, momento adequado de intervenção e suporte pós-operatório compatível com a realidade de cada paciente.
O que observar quando o sintoma começa a limitar a vida
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Na prática, o principal sinal de alerta é a mudança de comportamento da dor. Quando o incômodo se repete, se intensifica, limita movimento ou altera a rotina, vale procurar avaliação médica. A definição do tratamento pode variar bastante, de medidas conservadoras a cirurgia, conforme a situação clínica individual de cada paciente.
O ponto central é não naturalizar um sintoma que persiste. Dor no quadril pode ter origens diferentes e exigir condutas distintas. Quanto mais cedo o problema é identificado, mais cedo o tratamento pode ser organizado de forma adequada e individualizada.
Quem é Pedro Hamra
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Pedro Hamra é médico ortopedista com atuação em cirurgia do quadril e cirurgia do trauma ortopédico. Nascido em Catanduva, no interior de São Paulo, ele construiu sua formação na Santa Casa de São Paulo, onde fez residência em Ortopedia e Traumatologia e, na sequência, aperfeiçoamentos em Cirurgia do Trauma Ortopédico e Cirurgia do Quadril. Também concluiu mestrado acadêmico na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com Pesquisa em Cirurgia sobre o bloqueio dos nervos pericapsulares do quadril, técnica ligada ao manejo da dor. Hoje, além da prática clínica e cirúrgica, é cofundador do Instituto HIP, espaço voltado ao atendimento integrado em ortopedia e outras especialidades médicas.
CRM: 168808/SP | RQE Nº: 91590
Instagram: @pedrohamra | @institutohip
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