Perda de urina masculina: Magnum Pereira detalha causas e tratamentos
Urologista explica por que a incontinência masculina pode afetar autoestima e rotina e quais alternativas podem ser avaliadas.

A incontinência urinária masculina pode surgir em diferentes contextos e afetar de maneira significativa a rotina, a autoestima e a vida social. Entre as situações mais conhecidas está a perda urinária após cirurgias para o tratamento do câncer de próstata, mas o quadro também pode estar associado a alterações da bexiga, doenças neurológicas e comprometimento dos nervos responsáveis pelo controle urinário.
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Segundo o urologista Magnum Pereira, identificar corretamente a origem da perda é essencial para definir a conduta mais adequada.
“Nem toda incontinência masculina tem a mesma causa. Após uma cirurgia de próstata, pode haver comprometimento do mecanismo responsável por conter a urina, mas também precisamos investigar alterações da bexiga, doenças neurológicas e condições que interferem nos nervos envolvidos no controle urinário.”
Essa diferenciação é importante porque sintomas semelhantes podem ter origens distintas e exigir abordagens específicas.
Incontinência após cirurgia de próstata requer acompanhamento
A perda urinária pode ocorrer após a prostatectomia radical, procedimento utilizado em determinados casos de câncer de próstata. A frequência dessa complicação varia conforme fatores como técnica cirúrgica, características do paciente, tempo de acompanhamento e critério utilizado para definir continência.
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Durante a recuperação, o organismo passa por um período de adaptação, especialmente em relação à musculatura envolvida no controle da urina. Esse processo, porém, não deve ser entendido como uma espera passiva.
“Quando sabemos que o paciente será submetido a uma cirurgia de próstata, podemos pensar no cuidado antes do procedimento. A fisioterapia pélvica pode ser iniciada no pré-operatório para trabalhar essa musculatura e preparar melhor o paciente para a recuperação.”
Nos meses seguintes à cirurgia, o acompanhamento permite avaliar a evolução da continência e identificar quando a persistência da perda exige uma investigação mais detalhada.
Como a gravidade da perda urinária é avaliada
A intensidade da incontinência não é determinada apenas pela quantidade de absorventes ou fraldas utilizados ao longo do dia. Frequência das perdas, situações em que elas acontecem, repercussão na rotina e testes clínicos também ajudam a dimensionar o problema.
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Pereira ressalta que não existe um único parâmetro capaz de classificar todos os pacientes da mesma maneira.
“A quantidade de absorventes ajuda, mas tem limitações, porque existem produtos de tamanhos e capacidades diferentes. Por isso, também utilizamos a avaliação clínica e testes que permitem observar o padrão da perda e compreender melhor a gravidade do quadro.”
Essa análise contribui para estabelecer a estratégia de tratamento mais adequada e identificar quais pacientes podem responder a medidas conservadoras e quais necessitam de outras abordagens.
Fisioterapia pélvica pode fazer parte da recuperação
A fisioterapia do assoalho pélvico ocupa um papel importante no manejo de determinados casos de incontinência masculina, especialmente durante a recuperação após procedimentos prostáticos.
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O trabalho é direcionado aos músculos envolvidos no mecanismo de continência e deve ser conduzido por profissional habilitado nessa área.
“Assim como fortalecemos outros músculos do corpo por meio de exercícios direcionados, também é possível trabalhar a musculatura pélvica. É um tratamento que exige técnica e acompanhamento, porque o objetivo é melhorar a função dos músculos que participam diretamente do controle urinário.”
Em alguns pacientes, a recuperação ocorre ao longo dos primeiros meses após a cirurgia. Quando a perda persiste apesar das medidas conservadoras e passa a comprometer de maneira relevante a qualidade de vida, outras possibilidades podem ser avaliadas.
Quando a cirurgia pode ser considerada
A indicação de tratamento cirúrgico depende de fatores como intensidade da incontinência, resposta à fisioterapia, condições clínicas e histórico de procedimentos anteriores.
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Entre as opções está o sling masculino, utilizado em pacientes selecionados. Trata-se de uma faixa posicionada abaixo da uretra para oferecer suporte ao mecanismo responsável pela continência.
“O sling pode ser uma alternativa em determinados perfis, principalmente quando ainda existe capacidade funcional do mecanismo de continência. A escolha depende do grau da perda e da avaliação individual de cada paciente.”
Nos quadros moderados ou mais intensos, outra possibilidade é o esfíncter urinário artificial, dispositivo implantável desenvolvido para auxiliar no controle da saída da urina.
Como funciona o esfíncter urinário artificial
O esfíncter urinário artificial é implantado internamente e possui um mecanismo que envolve a uretra. Durante a maior parte do tempo, o sistema permanece fechado. Quando sente vontade de urinar, o paciente aciona uma pequena bomba posicionada na região escrotal, permitindo temporariamente a passagem da urina.
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Antes da indicação, é necessário avaliar não apenas as condições clínicas, mas também se o paciente compreende o funcionamento e possui condições de manusear o dispositivo.
“É importante explicar com clareza que se trata de um mecanismo que depende da participação do paciente. Ele precisa reconhecer a vontade de urinar, acionar o sistema e entender como o dispositivo funciona no dia a dia. Essa adaptação faz parte do próprio tratamento.”
Por se tratar de um dispositivo implantável, existe possibilidade de necessidade de revisão ao longo dos anos.
“Não existe uma validade determinada, mas estamos falando de um equipamento implantável. Com o passar do tempo, pode ocorrer desgaste ou falha mecânica, e o paciente precisa conhecer essa possibilidade antes da cirurgia.”
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Esfíncter urinário artificial foi incorporado ao SUS
O acesso a esse tipo de tratamento ganhou uma mudança relevante no sistema público de saúde. Em janeiro de 2026, o Ministério da Saúde decidiu incorporar ao Sistema Único de Saúde o implante de esfíncter urinário artificial para pacientes com incontinência urinária grave após prostatectomia radical. A decisão foi tomada após avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde.
A incorporação é direcionada a um grupo específico de pacientes e não significa que todo homem com perda urinária tenha indicação para o dispositivo. A definição depende da gravidade do quadro, da evolução após a cirurgia, da resposta às medidas conservadoras e das condições clínicas individuais.
Para Magnum Pereira, ampliar o acesso à informação é fundamental justamente porque muitos homens ainda acreditam que a perda urinária após um tratamento prostático será necessariamente definitiva.
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“Muitas vezes, o paciente acredita que aquela situação não tem mais solução e passa a organizar a vida em torno da incontinência. Informação é fundamental para que ele saiba que existem caminhos de investigação e possibilidades de tratamento, sempre de acordo com a avaliação de cada caso.”
Radioterapia e cirurgias anteriores podem tornar o caso mais complexo
O histórico clínico tem peso importante no planejamento terapêutico. Homens que passaram por radioterapia ou múltiplos procedimentos na região urinária podem apresentar alterações nos tecidos, maior fragilidade uretral ou outros fatores associados à perda de urina.
Nessas situações, a avaliação precisa considerar o funcionamento da bexiga, as condições da uretra e eventuais doenças associadas.
“Quando existe histórico de radioterapia ou de várias cirurgias, o planejamento precisa ser ainda mais cuidadoso. Precisamos entender o que aquele tecido já sofreu, como está a uretra, se há alterações na bexiga e quais condições clínicas podem interferir no procedimento e na recuperação.”
A decisão terapêutica, portanto, não depende apenas da intensidade da perda, mas do conjunto da história clínica.
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Vergonha e medo podem atrasar a procura por ajuda
O impacto da incontinência não se limita ao aspecto físico. O receio de perder urina em público, o medo do odor e a necessidade de utilizar absorventes ou fraldas podem levar alguns homens a modificar hábitos, evitar ambientes sociais e abandonar atividades que antes faziam parte da rotina.
É nesse ponto que o atendimento também precisa considerar o constrangimento associado ao problema.
“Muitos homens chegam ao consultório e relatam situações que nunca tiveram coragem de contar para outra pessoa. Existe medo de julgamento, ansiedade e uma sensação de perda de autonomia. O paciente pode deixar de sair, de viajar ou de participar de determinados encontros simplesmente por receio de ter um episódio de perda urinária.”
Para Pereira, compreender essa repercussão é parte importante do cuidado.
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“Às vezes, uma condição frequente para o médico representa um sofrimento enorme para quem convive com ela todos os dias. Por isso, é preciso entender o impacto real na vida do paciente e não tratar a queixa apenas como um dado clínico.”
Em quadros de sofrimento emocional mais intenso, o acompanhamento pode envolver outros profissionais da saúde, como psicólogos ou psiquiatras.
Recuperar continência também significa recuperar autonomia
Um dos principais desafios é romper com a ideia de que a perda urinária deve ser simplesmente aceita depois do tratamento de uma doença grave.
Para o urologista, superar um câncer ou uma cirurgia importante não elimina a necessidade de discutir qualidade de vida.
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“O paciente não quer apenas tratar a doença de base. Ele quer voltar a caminhar, trabalhar, viajar, conviver com a família e participar da própria rotina sem que a incontinência determine todas as suas escolhas. A medicina precisa olhar também para essa recuperação.”
Perdas persistentes ou capazes de comprometer o cotidiano devem ser avaliadas individualmente. Existem diferentes causas e alternativas terapêuticas, e a definição da conduta depende das particularidades clínicas de cada paciente.
Quem é Magnum Pereira
Magnum Adriel Santos Pereira nasceu e cresceu em Manaus, no Amazonas, em uma família de professores da rede pública. O interesse pela medicina surgiu ainda durante o ensino médio, inicialmente pela afinidade com as ciências biológicas e, depois, pelo desejo de trabalhar diretamente no cuidado de pacientes.
Graduado em Medicina pela Universidade do Estado do Amazonas, seguiu para a formação em Cirurgia Geral e, posteriormente, em Urologia. Durante a pandemia de Covid-19, atuou na linha de frente em Manaus, inclusive em atendimentos de emergência, experiência que marcou sua trajetória profissional pelo contato com pacientes em situações de alta complexidade.
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Ao longo da formação em Urologia, direcionou parte de seus estudos para disfunções miccionais, incontinência urinária e urologia reconstrutiva. Buscou aperfeiçoamento em São Paulo, no Hospital do Servidor Público Estadual, o IAMSPE, especialmente em urologia funcional, reconstrutiva e distúrbios da micção. Atualmente é mestrando em Urologia.
Magnum Pereira divide sua atuação profissional entre Manaus e São Paulo, com foco em urologia reconstrutiva e funcional, incontinência urinária masculina e feminina, disfunções miccionais e alterações da uretra. No atendimento, defende que a avaliação médica considere não apenas exames e diagnósticos, mas também o impacto da doença na autonomia, na autoestima e na rotina.
CRM-AM 8564 | RQE 5038 – Cirurgia Geral | RQE 6742 – Urologia
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CRM-SP 271029 | RQE 138783 – Cirurgia Geral | RQE 138784 – Urologia
Instagram:@drmagnumpereira

