Polícia apura envio forçado de pessoas em situação de rua para Campinas
Investigação apura atuação de 22 cidades por suspeita de constrangimento ilegal no deslocamento de 33 pessoas

A Polícia Civil de Campinas (SP) informou, nesta sexta-feira (25), que instaurou um inquérito policial para investigar a transferência forçada e coercitiva de pessoas em situação de rua para o município. A apuração teve início após a Secretaria de Justiça de Campinas apresentar uma representação baseada em relatos colhidos no final de junho.
Continua depois da publicidade
Durante abordagens humanitárias realizadas pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, agentes preencheram questionários com pessoas abordadas nas ruas da cidade. Ao todo, 33 pessoas declararam ter sido encaminhadas a Campinas (SP) contra a própria vontade e sem possuir qualquer vínculo local.
De acordo com o delegado classe especial Oswaldo Diez Júnior, diretor do Deinter 2 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior 2), com sede em Campinas,a investigação abrange 22 municípios apontados pelos entrevistados, sendo três deles localizados fora do Estado de São Paulo. Relatos preliminares indicam que algumas dessas pessoas teriam recebido passes de transporte público como a única opção oferecida por agentes externos, sendo convencidas a se deslocar para a cidade.
A Polícia Civil notificou as prefeituras das cidades citadas, que têm prazo para responder aos ofícios enviados. Caso as denúncias sejam comprovadas, os responsáveis poderão responder pelo crime de constrangimento ilegal e por improbidade administrativa, na hipótese de envolvimento de servidores públicos.
Continua depois da publicidade
Mapeamento das pessoas em situação de rua
A ação das autoridades municipais ocorre em meio a um esforço para mapear as dinâmicas da população vulnerável na região.
O levantamento também aponta que 45% dos não naturais de Campinas vivem na cidade há mais de cinco anos e que 91,7% demonstram o desejo de sair das ruas, priorizando acesso a trabalho e moradia.
Segundo o Censo da População em Situação de Rua 2024, produzido pela Fundação FEAC em parceria com a Prefeitura, 81,1% desse público é masculino e 67,8% autodeclara-se preta ou parda.
