Símbolo de São Francisco Xavier, muriqui desafia cientistas contra extinção
Maior primata das Américas é monitorado com drones e tecnologias para garantir a sobrevivência da espécie na Mata Atlântica.

Símbolo de São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos, o muriqui-do-sul se tornou o centro de uma corrida científica para evitar a extinção de uma das espécies mais ameaçadas do planeta. Pesquisadores utilizam drones com câmeras termais e outras tecnologias para localizar e monitorar grupos do maior primata das Américas nas áreas de Mata Atlântica preservadas da Serra da Mantiqueira.
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São Francisco Xavier fica a cerca de 55 quilômetros do centro de São José dos Campos e é reconhecido por suas montanhas, cachoeiras e pela forte vocação para o ecoturismo. Criado oficialmente em 1892, o distrito preserva tradições da cultura tropeira e abriga uma das áreas mais importantes para a conservação da biodiversidade paulista.
Foi justamente ali que, em 1991, o biólogo Luiz Alberto Antonieto redescobriu uma população de muriquis-do-sul (Brachyteles arachnoides). Três anos depois, o animal foi escolhido como símbolo oficial de São Francisco Xavier, tornando-se um dos principais representantes da identidade ambiental do distrito.
Conhecido pelos "abraços coletivos" e pelo comportamento pacífico, o muriqui-do-sul pode atingir até 1,5 metro de altura, pesar cerca de 15 quilos e viver mais de 40 anos. Além de ser o maior primata das Américas, a espécie é considerada uma "espécie-bandeira" e "espécie-guarda-chuva", já que sua preservação beneficia dezenas de outros animais e plantas que compartilham o mesmo habitat.
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Apesar dessa importância, o muriqui está entre os primatas mais ameaçados de extinção do mundo. Por isso, as populações encontradas em São Francisco Xavier são consideradas estratégicas para a conservação da espécie no Brasil.
Para ampliar o monitoramento, a Prefeitura de São José dos Campos desenvolve o Programa Primatas, que utiliza drones equipados com câmeras térmicas capazes de identificar os animais nas copas das árvores sem interferir em seu comportamento natural.
Segundo o professor Fabiano Melo, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), a tecnologia permite localizar grupos em áreas de difícil acesso, melhorar a contagem de indivíduos e identificar novas populações em fragmentos de Mata Atlântica.
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A proteção do muriqui também depende da preservação da Área de Proteção Ambiental de São Francisco Xavier (APASFX), criada em 2002 para controlar a ocupação do solo, preservar as florestas e garantir a conservação dos recursos hídricos da região.
Além das pesquisas científicas, a participação da comunidade é considerada essencial. Moradores atuam como voluntários em ações de conservação, proteção da fauna, coleta de sementes de espécies nativas, como a palmeira-juçara, e no desenvolvimento do turismo sustentável.
A união entre pesquisadores, poder público e população transformou São Francisco Xavier em uma referência nacional na conservação da Mata Atlântica, tendo o muriqui como principal símbolo da luta pela preservação da biodiversidade brasileira.
