Unicamp e Boldrini criam anticorpo promissor contra leucemia infantil
Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Centro Infantil Boldrini desenvolveram uma família de anticorpos monoclonais com potencial

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Centro Infantil Boldrini desenvolveram uma família de anticorpos monoclonais com potencial para tratar a leucemia linfoblástica aguda (LLA) infantil. A LLA é o tipo de câncer do sangue mais frequente na infância e adolescência, representando entre 75% e 80% dos diagnósticos dessa faixa etária.
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Apesar de o tratamento padrão apresentar taxas de cura acima de 80%, uma parcela dos pacientes sofre recaídas ou não responde às terapias existentes. A nova estratégia baseia-se na identificação de um fator molecular associado à doença: o receptor IL-7Rα, localizado na superfície das células leucêmicas. Em estado mutado, esse receptor funciona como um "interruptor travado na posição ligada", enviando sinais contínuos para a multiplicação e sobrevivência da célula tumoral.
Ação dupla e evolução da tecnologia
Fruto de dez anos de pesquisas e da colaboração de 14 cientistas, os anticorpos foram criados utilizando a tecnologia de hibridomas. As moléculas atuam em duas frentes complementares: bloqueiam os sinais de proliferação enviados pelo receptor e sinalizam a célula tumoral para que seja identificada e destruída pelo sistema imunológico do próprio paciente.
Para viabilizar a aplicação em seres humanos sem provocar rejeição imunológica — problema associado ao anticorpo murino original —, a equipe desenvolveu variantes quimérica e humanizada, que incorporam sequências de origem humana. A família de anticorpos resultante já possui pedido de patente depositado com o apoio da Agência de Inovação Inova Unicamp.
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Avanço industrial e aplicações futuras
Além de oferecer uma nova opção terapêutica para casos complexos, o desenvolvimento do medicamento biológico no país pode reduzir a dependência brasileira de insumos e etapas produtivas internacionais.
A etapa atual do projeto busca parcerias com a indústria farmacêutica para viabilizar a ampliação da escala de produção e o início dos ensaios clínicos com pacientes. A equipe destaca ainda que o mecanismo de ação do receptor IL-7Rα permite que a tecnologia seja investigada futuramente no combate a doenças autoimunes.
*Com informações da Agência de Inovação da Unicamp.
