Vereador de Monte Mor pede perdão após defender demissão de petistas
Josuel da Conceição (PSD) disse ter agido no calor da emoção; Câmara Municipal de Monte Mor repudiou declarações

Josuel da Conceição (PSD) disse ter agido no calor da emoção; Câmara Municipal de Monte Mor repudiou declarações
Redes sociais
O vereador Josuel da Conceição (PSD), do município de Monte Mor (SP), publicou um vídeo em suas redes sociais incentivando empresários a demitirem trabalhadores que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No vídeo, de cerca de um minuto, o parlamentar defendeu o desligamento de funcionários alinhados ao PT e orientou que eles fossem "pedir emprego pro Lula".
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A declaração gerou repercussão na cidade e levou o Poder Legislativo local a se manifestar formalmente. Em Nota Oficial divulgada nesta quinta-feira (28), a Câmara Municipal de Monte Mor declarou que não concorda com o teor de postagens que incentivam a demissão de trabalhadores por razões políticas.
Ainda, em nota, a Casa de Leis ressaltou que a atitude individual do parlamentar não reflete a posição do Legislativo, que reafirmou seu compromisso com a legalidade e as instituições democráticas.
Diante da repercussão negativa, nesta terça-feira (27), o vereador realizou uma transmissão ao vivo nas redes sociais para se retratar publicamente. Durante a gravação, o parlamentar reconheceu o erro, afirmou ter agido no "calor da emoção" e em um "momento de euforia", e pediu perdão à sociedade, a Deus e a todos que se sentiram ofendidos com suas declarações.
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Confira as falas na íntegra
Transcrição do vídeo do vereador Josuel da Conceição (PSD)
"Já tô vendo aí nas redes sociais um monte de empresário mandando um monte de petista embora.
Tem que mandar mesmo, porque afinal de conta os empresários não presta. São os dono de empresas que exploram os empregado, então para que esses empregado, esses petistas têm que continuar nessas empresas que são exploradas.
Os fu…donos das empresas, donos de indústria, os comerciantes, tem que mandar embora mesmo. Vai pedir emprego pro Lula. Vai pedir emprego pro Lula.
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Porque até esses dias atrás estavam metendo o pau nos empresários dizendo que eles são explorador. Porque vocês que trabalham em uma empresa ganham dois mil, dois mil e quinhentos reais. E o dono, o proprietário, ganha milhões. Então o empresário tem que mandar embora mesmo.
Rua para quem votou no Lula. Rua, rua e pronto."
Vídeo de retratação do vereador Josuel da Conceição (PSD)
Nota Oficial da Câmara Municipal de Monte Mor
"A Câmara informa que não comunga com o teor de postagens que incentivam a demissão de trabalhadores que votaram no PT. O Legislativo destaca que essa manifestação individual do vereador não reflete o posicionamento da Casa de Leis, de defesa dos princípios democráticos e da legalidade.
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A Câmara Municipal reafirma seu compromisso com a legalidade, o respeito às instituições democráticas e a observância das normas regimentais, ressaltando que eventuais questões relacionadas à atuação parlamentar serão tratadas no âmbito de suas competências institucionais, com observância do devido processo legal.
Monte Mor, 28 de outubro de 2026."
Outros casos de assédio eleitoral
O episódio de Monte Mor insere-se em um contexto mais amplo de denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho. A prática é configurada quando superiores hierárquicos utilizam de coação, ameaças ou promessas de vantagens para interferir na escolha política de empregados, sendo considerada crime passível de multa e pena de reclusão.
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Caso da deputada eleita Jessicão (PL-PR)
No Paraná, a deputada estadual eleita Jessica Ramos Moreno, conhecida como Jessicão (PL), incentivou a demissão de funcionários petistas em publicação na rede social X, afirmando: "Demita o mal".
A postagem levou o deputado estadual Requião Filho (PDT) a protocolar representação no Ministério Público do Trabalho (MPT) e no Ministério Público Federal (MPF). Em nota oficial, a parlamentar negou qualquer conduta discriminatória, alegando que se manifestou dentro do livre debate político e em defesa da autonomia dos empregadores.
Caso do Frigorífico Goiás
Outro caso citado envolveu o empresário Leandro Batista Nóbrega, dono do Frigorífico Goiás. Durante o segundo turno, ele publicou um vídeo oferecendo uma viagem paga com todas as despesas para Caldas Novas (GO) a 1 mil apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva, com o objetivo explícito de evitar que fossem votar. A Justiça do Trabalho concedeu liminar barrando a ação sob pena de multa de R$ 100 mil por trabalhador.
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Balanço das autoridades
Até o dia 26 de outubro, o Ministério Público do Trabalho (MPT) contabilizou 1.937 denúncias de assédio eleitoral em todo o Brasil. O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Vieira de Mello Filho, ressaltou que a Justiça Trabalhista continuará apurando rigorosamente todas as notificações e que os casos com indícios de irregularidade serão devidamente julgados.
