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Advogado diz que ajudância de ordens só prejudicou Mauro Cid: "Perdeu carreira e família"

Jair Alves Pereira disse que o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro cumpriu todas as regras impostas pelo acordo de delação premiada

Da redação
DA REDAÇÃO

02/09/2025 • 15:15 • Atualizado em 02/09/2025 • 15:15

Mauro Cid deve ser expulso do Exército

Mauro Cid deve ser expulso do Exército

Geraldo Magela/Agência Senado

O advogado de Mauro Cid, Jair Alves Pereira, contestou as acusações feitas por outras defesas no julgamento sobre a tentativa de golpe de Estado, iniciado nesta terça-feira (2). Segundo ele, o ex-ajudante de ordens não descumpriu o acordo de delação premiada e relatou às autoridades tudo o que efetivamente sabia.

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"O que as outras defesas tentam dizer, de que o Mauro Cid teria vazado informações e descumprido os acordos de colaboração premiada, não tem credibilidade", afirmou Pereira.

O advogado, no entanto, destacou que é necessário ponderar alguns pontos diante de toda a pressão que Cid sofreu durante o período da delação.

"Não é razoável exigir que um colaborador que se expôs da forma como o Mauro Cid se expôs — que perdeu literalmente a carreira, se afastou da família, dos amigos, de um sonho que era a carreira militar — consiga trazer detalhes de investigações às quais não tinha acesso, sem correr o risco de incorrer em alguma contradição. Eu não posso exigir dele, diante do abalo psicológico e da pressão, que não tenha cometido algum deslize. Mas ele nunca, em momento algum, comprometeu o acordo", disse.

Pereira reiterou a contribuição do ex-ajudante de ordens e afirmou que muitas partes das investigações só avançaram graças à colaboração de seu cliente.

"Tudo o que estamos falando aqui diz respeito a fatos. Foi graças ao Mauro Cid que se descobriu a reunião com os comandantes — e isso não tem mais como ser negado, até porque o próprio ex-presidente Bolsonaro confirmou a existência dessa reunião", ressaltou.

Em seguida, o advogado discordou do argumento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de que Mauro Cid não teria confessado tudo o que sabia.

"Os embates dele com a polícia são normais, fazem parte do processo, mas ele colaborou. O procurador-geral disse que o Cid resistiu em confessar delitos. Eu não concordo, porque ele falou tudo o que sabia. E entre falar tudo o que sabe e praticar tudo o que viu existe uma diferença muito grande. Não posso imaginar que o Cid tenha tentado praticar um golpe de Estado, quando, em março, já estava nomeado para assumir um batalhão em Goiânia, com casa alugada e filhos matriculados no colégio. A vida dele seguia além da ajudância de ordens. Na verdade, a ajudância de ordens só prejudicou a vida dele", argumentou.

"Portanto, não podemos imaginar que ele tivesse que 'confessar' para cumprir o acordo. O que estava previsto era que ele dissesse o que sabia — e foi exatamente isso que fez. Ele não falou sobre o chamado 'Punhal Verde e Amarelo' porque não tinha conhecimento. Ele falou sobre aquilo que efetivamente sabia", completou.

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