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Agência Internacional de Energia Renovável aponta gargalos em investimentos antes da COP30

Embora os investimentos em energia renovável tenham crescido 7% em 2024, os recursos efetivamente desembolsados continuam muito abaixo dos níveis necessários

Da redação
DA REDAÇÃO

16/10/2025 • 12:32 • Atualizado em 16/10/2025 • 12:32

Energia Solar

Energia Solar

Agência Brasil

O mundo está ficando para trás em suas metas de energia renovável e eficiência energética, apesar do progresso recorde registrado no último ano. A conclusão é de um novo relatório divulgado nesta terça-feira (14/10) pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA, na sigla em inglês), pela Presidência brasileira da COP30 e pela Aliança Global de Energias Renováveis (GRA), durante um encontro de alto nível preparatório para a COP30 em Brasília.

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Em 2024, a capacidade global adicionada de energias renováveis atingiu o nível inédito de 582 gigawatts (GW). Mesmo assim, o número ainda está aquém do necessário para manter o ritmo estabelecido pelo Consenso dos Emirados Árabes Unidos, firmado na COP28, que prevê triplicar a capacidade mundial de geração renovável para 11,2 terawatts (TW) até 2030.

Segundo o segundo relatório oficial de acompanhamento das metas energéticas definidas pelo Consenso dos Emirados, será preciso acrescentar 1.122 GW por ano a partir de 2025, o que exige uma taxa de crescimento anual de 16,6% ao longo da década.

O documento, intitulado Cumprindo o Consenso dos Emirados Árabes Unidos: acompanhando o progresso rumo à meta de triplicar a capacidade de energia renovável e dobrar a eficiência energética até 2030, alerta também que a eficiência energética preocupa tanto quanto a expansão das fontes limpas. A intensidade energética global avançou apenas 1% em 2024, muito abaixo dos 4% de melhora anual necessários para atingir a meta e manter o limite de 1,5°C de aquecimento global.

O relatório defende ações urgentes para integrar metas de energia renovável aos planos climáticos nacionais (NDC 3.0) antes da COP30 em Belém, dobrar a ambição coletiva dos países para alinhar as contribuições nacionalmente determinadas às metas globais e elevar os investimentos em energias renováveis para pelo menos US$ 1,4 trilhão por ano entre 2025 e 2030, mais que o dobro dos US$ 624 bilhões aplicados em 2024.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que as fontes renováveis “estão sendo implantadas de forma mais rápida e barata do que os combustíveis fósseis, impulsionando o crescimento, o emprego e o acesso à energia. Mas a janela para manter o limite de 1,5°C ao nosso alcance está se fechando rapidamente. Precisamos agir com mais vigor, ampliar a escala e acelerar uma transição energética justa – para todos, em todos os lugares.”

O diretor-geral da IRENA, Francesco La Camera, declarou que as energias renováveis “não são apenas a solução climática mais econômica, mas também a maior oportunidade econômica do nosso tempo”. Segundo ele, o relatório “mostra o caminho: acelerar a implantação, modernizar as redes, ampliar as tecnologias limpas e fortalecer as cadeias de suprimento.

Cada dólar investido gera crescimento, empregos e segurança energética. Ao elevar metas, mobilizar financiamento e aprofundar a cooperação, as grandes economias podem liderar a transição energética e transformar a COP30 em um marco”.

O presidente da Aliança Global de Energias Renováveis, Ben Backwell, afirmou que “as indústrias lideradas pela energia eólica, solar e hidrelétrica já estão gerando crescimento, empregos e segurança”. Ele acrescentou que “o que se precisa agora são planos governamentais de longo prazo à altura das ambições nacionais.

É necessário criar carteiras de projetos que saiam do papel, com ações concretas em redes e armazenamento, para maximizar os benefícios da transição energética. Este relatório mostra que a marcha rumo à abundância de energia renovável já começou – e é hora de acelerá-la”.

De acordo com o relatório, as principais economias avançadas e emergentes devem assumir a liderança. Os países do G20 deverão responder por mais de 80% da capacidade global de renováveis até 2030, enquanto as economias mais ricas do G7 deverão elevar sua participação para cerca de 20% da capacidade mundial ainda nesta década.

O texto destaca também a necessidade de os países desenvolvidos cumprirem seus compromissos de financiamento climático, atingindo o piso anual de US$ 300 bilhões estabelecido pela Nova Meta Coletiva Quantificada (NCQG) e avançando rumo ao patamar aspiracional de US$ 1,3 trilhão confirmado na COP29, no Azerbaijão.

Embora os investimentos em energia renovável tenham crescido 7% em 2024, os recursos efetivamente desembolsados continuam muito abaixo dos níveis necessários para construir carteiras de projetos robustas e acelerar as obras.

No que se refere às cadeias de suprimento, é fundamental garantir práticas comerciais justas e transparentes para as tecnologias de energia renovável e reforçar a cooperação internacional a fim de proteger os corredores de comércio de materiais e componentes essenciais.

Além disso, o investimento estratégico na modernização e expansão das redes elétricas é a base essencial para integrar novas capacidades e fortalecer a segurança energética.

Entre agora e 2030, estima-se que US$ 670 bilhões por ano precisem ser destinados às redes elétricas, com recursos adicionais voltados à ampliação das soluções de armazenamento de energia, à integração de fontes renováveis e à estabilidade do sistema.

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