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Proibir redes sociais para adolescentes é 'falsa solução', aponta cientista

Medida drástica do governo australiano ignora as raízes do problema e pode isolar jovens em vez de protegê-los

Da redação
DA REDAÇÃO

11/05/2026 • 16:40 • Atualizado em 11/05/2026 • 17:04

Redes sociais são processadas nos EUA

Redes sociais são processadas nos EUA

Reprodução/Band

A tentativa da Austrália de implementar um banimento nacional de redes sociais para menores de 16 anos está sendo alvo de críticas severas. Em um artigo publicado recentemente no New York Times, a estratégia é descrita como uma solução simplista para um problema profundamente complexo, correndo o risco de falhar tanto tecnologicamente quanto socialmente.

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De acordo com o artigo "Social Media Bans for Teens Are a False Solution", assinado pelo cientista brasileiro Leonardo Bursztyn, professor de economia na Universidade de Chicago, e por Cass R. Sunstein, professor de direito da universidade Harvard, o foco do governo australiano em "verificação de idade" cria um pesadelo de privacidade.

Para que o banimento funcione, as plataformas precisariam coletar dados biométricos ou documentos de identidade de milhões de cidadãos, criando um banco de dados altamente visado por hackers e governos autoritários.

Além disso, a análise destaca que adolescentes são nativos digitais habilidosos. O uso de ferramentas para mascarar a localização e a criação de redes alternativas sugerem que o banimento não impedirá o acesso, mas apenas empurrará os jovens para os "cantos mais escuros" e menos moderados da internet.

Isolamento x Proteção

Um dos pontos centrais da crítica publicada pelo jornal americano é o impacto no isolamento social. Para muitos adolescentes, especialmente aqueles em comunidades marginalizadas ou com interesses de nicho, as redes sociais são o único lugar onde encontram pertencimento.

Ao cortar esse acesso, o governo australiano pode estar exacerbando a crise de solidão que afirma querer resolver. O artigo argumenta que o problema não é o "uso" da rede social em si, mas o design viciante e os algoritmos predatórios das Big Techs, que permanecem intocados pela nova legislação.

Regulação de design, não de pessoas

A publicação defende que, em vez de banir os usuários, os legisladores deveriam focar em banir práticas de design nocivas. Isso incluiria o fim da rolagem infinita, a proibição de notificações invasivas durante o horário escolar e a obrigação de algoritmos de recomendação mais transparentes e seguros.

A Austrália estaria escolhendo o caminho mais fácil politicamente, mas o menos eficaz na prática. "Proibir o telefone de um adolescente é um gesto de autoridade, mas regular o modelo de negócio que explora esse adolescente é um gesto de governança", afirma o artigo. O fracasso iminente da medida australiana deve servir de lição para outras nações que buscam soluções rápidas para danos estruturais da era digital.