
Navio levava ajuda humanitária para Gaza e foi interceptada pelas forças israelenses
REUTERS/Danilo Arnone
O iate Madleen, que tentava levar ajuda humanitária e outros 12 ativistas da causa palestina à Gaza, foi interceptado pelas Forças de Defesa de Israel, segundo a Coalizão da Flotilha da Liberdade (FFC, na sigla em inglês). O Ministério das Relações Exteriores israelense afirmou que o “'iate das selfies' das 'celebridades” está a caminho de seu território e que “os passageiros devem retornar a seus países de origem”.
“Enquanto Greta e outros tentavam encenar uma provocação na mídia cujo único propósito era ganhar publicidade – e que incluía menos de um caminhão de ajuda – mais de 1.200 caminhões de ajuda entraram em Gaza vindos de Israel nas últimas duas semanas e, além disso, a Fundação Humanitária de Gaza distribuiu cerca de 11 milhões de refeições diretamente para civis em Gaza”, disse a pasta de Relações Exteriores.
“Há maneiras de entregar ajuda à Faixa de Gaza – elas não envolvem selfies no Instagram. A pequena quantidade de ajuda que estava no iate e não foi consumida pelas “celebridades” será transferida para Gaza por meio de canais humanitários reais”, completou.
A embarcação de bandeira britânica, que leva o nome da primeira e única pescadora feminina de Gaza, partiu do porto de Catânia, no Sul da Itália, há uma semana, levando alimentos, medicamentos e equipamentos ortopédicos, além das 12 pessoas – entre elas, a sueca Greta Thunberg, o ator de "Game of Thrones" Liam Cunningham, a deputada franco-palestina da União Europeia, Rima Hassan e o brasileiro Thiago Ávila.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou mais cedo que o país não permitiria que ninguém quebrasse o bloqueio naval do território palestino. "Vocês deveriam voltar, porque não conseguirão chegar a Gaza", afirmou Katz em um comunicado.", em seu perfil no X.
Desde o início do conflito, em outubro de 2023, as Forças de Defesa de Israel têm impedido a entrada de embarcações civis e dificultado a chegada de ajuda humanitária por rotas terrestres e marítimas, apesar de alertas internacionais sobre o risco de fome em larga escala.
O embate atual em Gaza começou após um ataque do grupo Hamas, em 7 de outubro de 2023, no qual os terroristas mataram cerca de 1,2 mil pessoas, na maioria civis, e sequestraram mais de 250 pessoas. Desde então, a resposta de Israel em Gaza já deixou mais de 52 mil mortos e mais de 119 mil feridos, a maioria mulheres e crianças, segundo autoridades locais.Ao Estadão – quando ainda estavam em águas egípcias –, Ávila disse que esperava que pudessem chegar à Gaza na manhã desta segunda (8).
"A gente espera que dê certo, mas infelizmente outras experiências de 17 anos na Freedom Flotilla Coalition apontam que, quando eles começam a interferir com a comunicação, fazem publicamente as ameaças deles, quando eles mobilizam os seus batalhões, as suas unidades de elite, eles normalmente cumprem as suas ameaças", afirmou.
Interferências nos sistemas de comunicação e navegação
Ávila relatou que o grupo enfrentou interferências nos sistemas de comunicação e navegação. Segundo o ativista, eles seguiam viagem utilizando apenas métodos analógicos, sem apoio tecnológico. A equipe esteve buscando descansar, mas permanecia em alerta para "qualquer hora, se necessário, assumir as posições onde tem maior chance de evitar mortes no momento de interceptação", contou.
De acordo com informações do jornal The Jerusalem Post, a unidade de comando de elite Shayetet 13 e a frota de barcos a mísseis serão responsáveis por uma possível interceptação. Também é avaliada a interceptação e redirecionamento do barco ao porto de Ashdod, de onde os ativistas seriam deportados.
"Num caso de interceptação, a gente tem tanto os nossos protocolos de segurança aqui, onde a gente vai no barco para ninguém ficar sozinho, todo mundo mantendo contato visual, mas além disso a gente tem o treinamento de não violência", relatou.
O grupo de ativistas também se preparou para possíveis medidas jurídicas, reunindo advogados voluntários de todo o mundo para atuar em casos de violação de direito internacional. Na visão do grupo, a ausência de respostas por parte dos governos é parte do problema. Para eles, o silêncio internacional contribui para a continuidade das violações.
"O governo brasileiro, apesar de ter falas importantes sobre o povo palestino, não se manifestou nem quando o nosso barco foi bombardeado há um mês atrás, em Malta. Eu não sei, sinceramente, eu não sei o que eles esperam. Esperam que um brasileiro morra para eles fazerem algo? Para eles se manifestarem?", questionou.
O ataque anterior, citado por Ávila, ocorreu no início de maio, quando o barco "Conscience", também ligado à Freedom Flotilla, foi alvo de drones enquanto navegava perto de Malta. A embarcação sofreu danos estruturais e precisou de resgate.
Apesar das ações, Ávila ressaltou que essa missão organizada por ativistas "não deveria acontecer". "Deveriam ser governos realizando o que a gente está fazendo aqui, deveriam ser organismos internacionais, mas infelizmente, dadas as condições do mundo hoje, os países não se veem em condições de fazer isso, então precisam ser cidadãos comuns para fazer".
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