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Infiltrados do PCC: operação prende ex-estagiário do MP e ex-policial em SP

Investigação aponta que um policial civil, ex-policial e ex-estagiário do Ministério Público estariam envolvidos em um plano para matar um promotor de Justiça

Da redação
DA REDAÇÃO

09/06/2026 • 08:28 • Atualizado em 09/06/2026 • 19:37

O Ministério Público de São Paulo deflagrou, nesta terça-feira (9), a Operação Infiltrados, que apura novos focos de atuação das organizações criminosas, incluindo a corrupção de agentes públicos, a prática de extorsões, a violação de sigilo funcional, bem como a possível infiltração de membros da organização criminosa no próprio MP.

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Entre os alvos da operação estão um ex-estagiário do Ministério Público, um policial civil e um ex-policial, que foi expulso da corporação pela prática do crime de extorsão mediante sequestro.

A ação desta terça-feira é um novo desdobramento de uma operação deflagrada em agosto de 2025, que apurou a atuação do PCC que, dentre outros crimes, estaria planejando um atentado contra a vida do promotor de Justiça Amauri Silveira Filho.

Ao todo, estão sendo cumpridos dez mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista.

Por envolverem suspeitos integrantes da Polícia Civil e da Polícia Penal, para cumprimento das ordens judiciais de busca e apreensão e de prisão, expedidas pelo Juízo de Garantias de Campinas, o imprescindível apoio das Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal, bem como da Comissão de Prerrogativas da OAB, especificamente para as buscas em escritório de advocacia.

“Todos os fatos estão sob apuração no GAECO e o apoio das Polícias Militar, Civil e Penal demonstra que as Instituições estão trabalhando em conjunto para a depuração de seus quadros, garantindo que a sociedade sempre tenha à disposição um serviço público eficiente, contínuo e transparente”, declarou o MP em nota.

Investigação

No curso das investigações, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) descobriu que, uma semana antes da deflagração da operação, um dos principais acusados, responsável direto pela execução do plano para matar o promotor de Justiça, se reuniu com o Chefe dos investigadores da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (DISE) de Campinas.

No material apreendido pelo Gaeco, foram localizados vídeos que mostram o encontro realizado entre os investigados, justamente às vésperas da deflagração da operação que viria a frustrar o suposto atentado contra o membro do Ministério Público.

Com o aprofundamento do trabalho, o Gaeco apurou que o responsável direto pela extorsão praticada contra o membro da organização criminosa seria um estagiário do próprio Ministério Público que, ao que tudo indica, meses antes, teria propositadamente se infiltrado em uma das Promotorias de Justiça Criminais de Campinas para fins criminosos.

“Utilizando os bancos de dados e sistemas de pesquisa e contando com o auxílio de outros agentes públicos, o estagiário teria conseguido identificar criminosos de alto poder econômico e, então, direcionado esforços para extorquir dinheiro em troca de suposta proteção nas investigações”, informou o Ministério Público em nota.

Dentre esses outros agentes públicos, estaria um policial penal e um ex-policial civil, já expulso da Polícia Civil anos atrás pela prática do crime de extorsão mediante sequestro. Também foram colhidos elementos que apontam que os atos de extorsão teriam sido praticados com o uso de internet de um escritório de advocacia.

Em outro foco investigativo também decorrente das Operações Pronta Resposta e Off White, o Gaeco descobriu que um dos principais membros da organização criminosa estava sendo vítima de extorsão, praticada por agente que se valia de informações privilegiadas.