O clima na fronteira entre Brasil e Venezuela é de incerteza e profunda apreensão. Após as notícias sobre a captura de Nicolás Maduro, o fluxo migratório em Pacaraima, no norte de Roraima, mantém-se intenso.
No posto de imigração da Polícia Federal, o movimento de malas e crianças é constante. Entre os recém-chegados, a reportagem encontrou Diossana Bolívar, que viajou acompanhada de cinco familiares, incluindo sobrinhos e cunhada. Vinda de Maturín, no estado de Monagas, Diossana enfrentou uma exaustiva jornada de 20 horas de autocarro para alcançar o Brasil.
Questionada sobre o impacto das notícias recentes em seu país, a imigrante não escondeu o nervosismo:
"Estamos muito assustados com isso", afirmou Diossana ao ser indagada sobre a situação na Venezuela após a saída de Nicolás Maduro do poder. Segundo ela, a decisão de abandonar a sua terra natal foi motivada pela urgência de encontrar trabalho, acreditando firmemente que o Brasil oferece oportunidades que já não existem no seu país.
No local, o Exército Brasileiro coordena o fluxo, oferecendo desde a regularização de documentos até postos de vacinação. Os números impressionam: desde 2015, mais de 1,1 milhão de venezuelanos já realizaram este mesmo trajeto.
Contudo, a crise também alimenta um mercado paralelo perigoso. A poucos metros do posto oficial, a reportagem flagrou o transporte ilegal de mantimentos. Devido à escassez severa, imigrantes arriscam a segurança transportando galões de gasolina e até seis botijões de gás de uma só vez em motas, tentando levar produtos básicos para o lado venezuelano, onde o preço do combustível disparou.
Enquanto a Venezuela vive um impasse histórico, para pessoas como Diossana, cruzar a fronteira é mais do que uma mudança de país; é uma tentativa de escapar de um cenário que ela define como "perturbador".
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