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Brasil assume papel de mediador na COP30 em meio a impasse global sobre financiamento climático

Belém do Pará sedia a maior conferência climática da ONU em um país tropical, com a ausência dos EUA e o desafio de concretizar a meta global de US$ 1,3 trilhão

Sonia Blota
SONIA BLOTA

04/11/2025 • 09:49 • Atualizado em 04/11/2025 • 09:49

Sonia Blota
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COP30 acontece em novembro, em Belém

COP30 acontece em novembro, em Belém

Rodrigo Pinheiro/Ag.Pará

A uma semana do início da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), Belém do Pará já se estabelece como o centro das atenções mundiais. O evento, que promete reunir quase 150 países, dezenas de chefes de Estado e líderes de organizações internacionais, ocorre em um cenário global marcado por conflitos e incertezas econômicas.

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A expectativa internacional é alta. A Europa, por exemplo, corre contra o tempo para anunciar uma meta climática comum antes da abertura dos trabalhos. A proposta de reduzir as emissões em 90% até 2040 ainda enfrenta resistência dentro da União Europeia, mas ilustra a urgência por compromissos mais concretos.

No entanto, a COP30 será marcada pela ausência da delegação dos Estados Unidos, já que o presidente Donald Trump declara não acreditar na agenda ambiental.

Financiamento e a economia da floresta

Simultaneamente, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, busca captar dez bilhões de dólares em recursos públicos até 2026 para remunerar os países que preservam suas florestas. A proposta visa dar valor econômico às árvores em pé, um desafio histórico nas negociações climáticas.

O Brasil já se comprometeu com um bilhão de dólares via Fundo Clima e espera que parte dos países do G20 oficialize seus aportes durante a conferência.

O debate sobre financiamento climático está entre os pontos altos da conferência. Globalmente, tenta-se definir como chegar a 1,3 trilhão de dólares até 2035 para garantir a transição energética e a adaptação de países vulneráveis. O consenso, no entanto, é dificultado pela resistência dos países desenvolvidos em criar novos mecanismos de financiamento.

Estratégia Brasileira: mediação e moderação

É neste contexto que o Brasil chega à COP30 com uma estratégia calculada de exercer liderança com moderação. O Itamaraty orientou seus diplomatas a evitar o tom reivindicatório, visando atuar mais como juiz do que como jogador.

O presidente Lula e sua equipe querem apresentar o país como um mediador confiável, capaz de aproximar economias e buscar convergências, evitando discursos polarizadores.

O desafio da concretização de acordos

Belém será palco da maior conferência climática da história em um país tropical. A expectativa é que o encontro produza mecanismos concretos, tanto para financiar a preservação das florestas quanto para reconstruir a confiança internacional no multilateralismo. O Brasil aposta em seu papel como anfitrião e árbitro.

Os acordos firmados são o principal ponto de atenção, com questionamentos sobre o cumprimento de compromissos anteriores, como o Acordo de Paris. As últimas COPs têm gerado mais discussão e pouca ação prática.

Existe uma crítica sobre a postura dos países desenvolvidos, que cobram ações dos países mais pobres, mas continuam a explorar petróleo, carvão e energia nuclear com suas matrizes poluentes. Para o Brasil, os países ricos ditam as regras, mas não querem segui-las e, o que é pior, não querem financiar os países em desenvolvimento para a preservação da natureza, mesmo após terem explorado e criado um enorme passivo ambiental para o mundo.

O mundo agora precisa decidir se está disposto a jogar, enquanto o Brasil se posiciona para arbitrar a discussão.

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