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Brasil cai sete posições em ranking de competitividade

Por Redação
REDAÇÃO

22/06/2026 • 22:57 • Atualizado em 22/06/2026 • 22:57

Eduardo Oinegue

Vou falar o nome de três países africanos: Botsuana, Nigéria e Namíbia. Guarda os nomes. Botswana deu uma arrancada econômica nos últimos anos, mas tem uma taxa de pobreza mais alta que a nossa, desemprego perto de cinco vezes maior do que o brasileiro e um analfabetismo elevado.

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Nigéria. A Nigéria tem uma população maior do que a brasileira, possui uma renda per capita equivalente a um oitavo da nossa, taxa de pobreza três vezes superior. Namíbia. O mais pobre dos três países que eu citei, pior em índice de desigualdade do mundo. Eu citei esses países não para destacar nações mais pobres ou cheias de desafios, mais desafios do que o Brasil, eu citei porque, por incrível que pareça, eles são os nossos companheiros numa posição lamentável no ranking de competitividade global do IMD.

O IMD é uma instituição de ensino na Suíça. Esse ranking mede a capacidade que os países têm de gerar riqueza, de criar valor para quem investe, para quem produz. Aí você pode dizer o seguinte: 'Vem cá, não tem problema aparecer ao lado de Botswana, da Nigéria, da Namíbia'. E realmente não teria, não fosse um detalhe que não é desprezível. Na edição de 2010, avaliava naquela época 58 países, agora 70, o Brasil estava em trigésimo oitavo lugar ao lado de Portugal. E a gente estava 20 posições acima da última colocação. Botswana, Nigéria e Namíbia sequer apareciam na lista dos 58. Agora, com 70 países avaliados, a gente está na sexagésima quinta posição, apenas cinco lugares do fim da lista. E esses países entraram na lista e começam a ser observados pelo lado bom. E o Brasil pelo lado ruim, porque a gente caiu.

O IMD, esse ranking do IMD, avalia 336 indicadores. Eles se agrupam em quatro pilares: desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura. Então os países lá do topo da lista são tidos como ambiente seguro para negócios, têm mão de obra qualificada, custo de capital baixo, burocracia simples, juros razoáveis e segurança jurídica. Aí na base, lá em baixo, Brasil, Namíbia, Botswana, Nigéria, é o contrário.

Bom, cair do trigésimo oitavo lugar, que era o nosso lugar lá atrás, para sexagésimo quinto lugar em 16 anos é lamentável. E a gente precisa entender onde é que a roda trava. Os gargalos mais graves estão em seis indicadores nos quais o Brasil ficou em último lugar: custo de capital (razões óbvias, taxa de juro nas alturas), educação básica, dívida corporativa (a taxa de dívida das empresas), habilidade linguística, produtividade da força de trabalho (que é lamentável no Brasil) e segurança jurídica. Você já deve ter ouvido falar em contencioso tributário. O contencioso tributário brasileiro, ou seja, as brigas na justiça discutindo tributos, o volume dessas brigas sobre imposto que vai parar na justiça supera aqui no Brasil um quarto do PIB. É quase 100 vezes mais do que a média dos países da OCDE. Tá bom ou você quer mais?

Então o Brasil não é um país pobre, não tem os desafios como os países africanos que eu citei, tem recursos, tem mercado, tem potencial. O que falta é transformar esse potencial em competitividade. E ano após ano, a gente segue fazendo exatamente o contrário. A pergunta é: até quando?

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