A brasileira Cainna, que vive em Israel há quase três décadas, relatou ao Brasil Urgente a intensificação da rotina sob ataques aéreos em Tel Aviv. Contrariando a percepção de calmaria à distância, ela afirma que os bombardeios, partindo tanto do Irã quanto do Líbano, mantêm a população em estado de alerta constante, com idas frequentes aos bunkers de proteção.
Rotina sob sirenes e perigo dos destroços
Cainna destacou que, embora o sistema de defesa intercepte a maioria dos projéteis, a queda de fragmentos representa um risco real e letal para quem não consegue se proteger a tempo. Ela relatou episódios recentes de fatalidades e feridos graves causados por esses destroços em cidades diferentes.
"Às vezes a gente tem a sensação que diminui porque ficamos seis, sete horas sem ataque, mas de repente eles começam a vir um atrás do outro", explicou a brasileira. "Hoje uma pessoa morreu porque não estava no bunker; caiu o fragmento do míssil na hora da interceptação enquanto ele atravessava a rua. Esses fragmentos são fatais".
Ataques coordenados e falta de aviso
A moradora explicou que a situação se agrava pela origem distinta dos ataques. Enquanto os lançamentos vindos do Irã costumam gerar alertas antecipados nos celulares, os bombardeios realizados pelo Hezbollah, a partir do Líbano, nem sempre oferecem o mesmo tempo de reação.
"Quando o ataque vem do Líbano, não tem o pré-aviso no telefone, é só a sirene e a gente descer", afirmou Cainna. Ela mencionou que, em Tel Aviv, houve situações em que a sirene do Líbano tocou imediatamente após a população ter acabado de subir de um abrigo utilizado para se proteger de mísseis iranianos.
Solidariedade e abrigos improvisados
Para garantir a segurança dos filhos durante a noite, Cainna tem contado com o apoio de vizinhos que possuem bunkers dentro do próprio prédio. A estratégia visa evitar a necessidade de correr pelas ruas em meio à madrugada quando o alerta extremo é acionado.
"À noite nós vamos dormir aqui porque o prédio deles tem bunker. Durante o dia, voltamos para casa porque é só atravessar a rua", detalhou.
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