As regiões afetadas pelo devastador terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia podem enfrentar réplicas e tremores secundários ao longo dos próximos dias e por até uma semana. O alerta foi feito pelo especialista em gerenciamento de risco Gerardo Portela durante análise ao programa Brasil Urgente.
O terremoto provocou a destruição de edificações e o desabamento de estruturas importantes, como a torre da Catedral de Manizales, além de ter levado o governo colombiano a declarar situação de desastre nacional diante da extensão dos estragos.
'Janela de ouro' e complexidade nos resgates
Diante do rastro de destruição e do desabamento de estruturas com múltiplos andares, o especialista frisou que as equipes de emergência trabalham contra o tempo para localizar sobreviventes soterrados.
"O foco agora é tentar resgatar essas pessoas e retirar as pessoas também de instalações que tenham sido danificadas... Nós temos a chamada 'janela de ouro', que são as 72 horas após o tremor, onde o maior número de vítimas consegue ser resgatado com vida", explicou Gerardo Portela.
O especialista ressaltou a necessidade de mão de obra altamente capacitada para atuar nos escombros sem provocar novos desabamentos:
"É um tipo de resgate que tem que ser feito com paciência. Você não pode chegar mexendo e revirando tudo, porque pode aumentar o número de vítimas. É algo tecnicamente complexo que precisa de gente especializada", apontou.
Fatores de risco e impacto das construções
Gerardo explicou que o impacto e a gravidade dos estragos causados por um terremoto estão diretamente associados às condições socioeconômicas e à qualidade da infraestrutura local.
"O grau de destruição e o número de vítimas é diretamente proporcional à qualidade das construções da região afetada. Quando você tem um tremor atingindo áreas onde as pessoas têm condições de moradia e de infraestrutura mais precárias, a chance de maior número de vítimas e perdas materiais é maior", destacou.
Apesar de o abalo ter sido registrado em profundidade intermediária, o que dissipa parte da energia no solo, a intensidade de 7,4 graus é considerada suficiente para comprometer a estrutura até de edifícios bem construídos e provocar o colapso de edificações mais vulneráveis. As operações de salvamento prosseguem com suporte de agentes de emergência e ofertas de ajuda internacional.
Relato de brasileiro na Colômbia
Em depoimento ao Brasil Urgente, o brasileiro Marcelo Dias, morador de Bogotá há sete anos, relatou o pânico durante a sacudida sísmica. Segundo ele, o tremor principal durou cerca de quatro minutos, um tempo atípico para os padrões locais.
"É uma sensação bastante estranha, de não saber o que fazer. Este terremoto foi relativamente forte e durou bastante, foram mais ou menos quatro minutos de movimento. É uma sensação bem angustiante", declarou.
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