Imagens mostram que PMs limparam apartamento após morte da soldado Gisele
Cena do crime teria sido alterada por subordinadas do marido da vítima; testemunhas relatam entrada de policiais com material de limpeza

Novas imagens e depoimentos revelam que o apartamento onde a soldado Gisele Santana foi encontrada morta, no Brás, passou por uma limpeza realizada por outras policiais militares antes da conclusão das investigações.
Continua depois da publicidade
Segundo apuração exclusiva, três PMs - identificadas como a cabo Larissa Santana, a soldado Jéssica Perandreia e uma terceira oficial - entraram no imóvel no 27º andar para realizar a faxina. Elas são lotadas no CPA/M-5, na zona oeste de São Paulo, mesma unidade onde o marido da vítima, o tenente-coronel Geraldo Neto, exercia funções administrativas.
A movimentação foi confirmada por funcionários do prédio, que relataram à polícia que as agentes se identificaram na portaria e foram acompanhadas até o apartamento para realizar o serviço.
A investigação agora busca identificar quem deu a ordem para o desvio de função, uma vez que as policiais atuaram fora de sua área de policiamento e em uma cena de crime ainda sob suspeita.
Continua depois da publicidade
O advogado da família de Gisele aponta que, além de fraude processual, o ato pode configurar crime de peculato pelo uso indevido de servidores públicos para fins particulares.
Foto com arma na mão
Um dos pontos mais críticos que reforçam a tese de alteração da cena é uma fotografia que mostra a mão da soldado Gisele empunhando uma pistola. Especialistas em perícia afirmam que a posição da arma na imagem é "estranha", pois o relaxamento muscular imediato após um disparo na cabeça faria o objeto cair. A suspeita é que a arma tenha sido posicionada propositalmente para simular um suicídio e corroborar a versão do tenente-coronel.
Contradições no depoimento do marido
Além da limpeza suspeita, o depoimento de Geraldo Neto apresenta divergências graves com os relatos dos primeiros socorristas que chegaram ao local. O oficial afirmou que estava no banho no momento do tiro, mas testemunhas relataram que ele estava com o corpo e as roupas secas, e que o banheiro do apartamento também não apresentava sinais de uso recente. O socorrista, com 15 anos de experiência, estranhou a cena e decidiu registrar fotos próprias para garantir a preservação das evidências visuais.
Continua depois da publicidade
A Polícia Militar informou que todas as irregularidades estão sendo apuradas em inquérito e que não compactua com desvios de conduta. Caso seja comprovado que houve ordem superior para "limpar" a cena do crime, os responsáveis poderão responder criminalmente na justiça militar e comum.
