Brasil

Polícia Federal encontra 'discurso do golpe' na sede do partido de Bolsonaro

Documento achado no PL decretaria estado de sítio após vitória de Lula nas eleições de 2022

3 min

08/02/2024 17:59 • Atualizado há 924 dias

Polícia Federal encontra 'discurso do golpe' na sede do partido de Bolsonaro

A Polícia Federal encontrou um ‘discurso do golpe’ na sede do Partido Liberal, presidido por Valdemar Costa Neto, e tem como integrante o ex-presidente Jair Bolsonaro. A apreensão do documento, que decretaria estado de sítio após vitória de Lula nas eleições, ocorreu na operação que mira aliados do ex-presidente nesta quinta-feira (8).

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Delegados da Polícia Federal confirmaram ao repórter Caiã Messina que o documento seria um tipo de discurso e questionam Valdemar Costa Neto sobre ele. O presidente do PL está preso por posse ilegal de arma, encontrada na casa dele.

Há termos muito usados por Bolsonaro, como ‘tudo dentro das quatro linhas da Constituições’. O texto não tem data, nem assinatura. Os investigadores chegaram na sede da PF em Brasília com documentos, computadores e celulares, que serão periciados.

Operação da PF

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (8) a Operação Tempus Veritatis para apurar uma organização criminosa que atuou na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito, para obter vantagem de natureza política com a manutenção do então presidente Jair Bolsonaro no poder.

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Jair Bolsonaro é alvo da operação da Polícia Federal e deu 24 horas para que o ex-presidente da República entregue o passaporte. Segundo a colunista da Rádio BandNews FM, Mônica Bergamo, a PF foi a Angra dos Reis para buscar documento e celular de assessores dele.

O advogado e ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Bolsonaro, Fabio Wajngarten, declarou que o ex-presidente entregará o passaporte às autoridades competentes.

“Em cumprimento às decisões de hoje, o presidente Bolsonaro entregará o passaporte às autoridades competentes. Já determinou que seu auxiliar direto, que foi alvo da mesma decisão, que se encontrava em Mambucaba, retorne para sua casa em Brasília, atendendo a ordem de não manter contato com os demais investigados”, escreveu o advogado do ex-presidente.

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Além de Bolsonaro, alguns dos alvos da operação são: o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, os generais Augusto Heleno e Braga Netto, o presidente do PL Valdemar Costa Neto, ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos, ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e o ex-assessor Tercio Arnaud.

A PF cumpriu três mandados de prisão. Os alvos são: Felipe Martins, ex-assessor para Assuntos Internacionais da Presidência; Marcelo Câmara, ex-ajudante de ordens; e Rafael Martins de Oliveira, major do Exército.

O que aponta a investigação

Nesta fase, as apurações apontam que o grupo investigado se dividiu em núcleos de atuação para disseminar a ocorrência de fraude nas Eleições Presidenciais de 2022, antes mesmo da realização do pleito, de modo a viabilizar e legitimar uma intervenção militar, em dinâmica de milícia digital.

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O primeiro eixo consistiu na construção e propagação da versão de fraude nas Eleições de 2022, por meio da disseminação falaciosa de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação, discurso reiterado pelos investigados desde 2019 e que persistiu mesmo após os resultados do segundo turno do pleito em 2022.

O segundo eixo de atuação consistiu na prática de atos para subsidiar a abolição do Estado Democrático de Direito, por meio de um golpe de Estado, com apoio de militares com conhecimentos e táticas de forças especiais no ambiente politicamente sensível.

“O Exército Brasileiro acompanha o cumprimento de alguns mandados, em apoio à Polícia Federal”, informou a PF. Os fatos investigados configuram, em tese, os crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Polícia Federal encontra 'discurso do golpe' na sede do partido de Bolsonaro