A Polícia Civil de São Paulo deu um passo importante na investigação da morte suspeita do advogado do Rio de Janeiro, Pedro Ely Cordeiro, de 43 anos, cujo corpo foi encontrado na Vila Madalena, na Zona Oeste da capital paulista.
A polícia já identificou de onde partiu a tentativa de saque e uso indevido do cartão bancário da vítima e realiza diligências para localizar o suspeito. As autoridades trabalham fortemente com a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte) sob efeito do golpe conhecido popularmente como "Boa Noite, Cinderela".
Tentativa de transação de R$ 10 mil acendeu alerta de fraude
Um dos principais fatores que direcionaram a polícia para a hipótese de crime foi a tentativa de realizar um pagamento ou transferência no valor de quase R$ 10 mil usando a conta do advogado durante a madrugada.
De acordo com Ivalda Aleixo, delegada responsável pelo caso e diretora do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa do estado (DHPP-SP), a transação fugia completamente do perfil de Pedro. A movimentação financeira atípica naquelas horas chamou a atenção do setor de fraudes da instituição financeira, que bloqueou a operação e tentou, sem sucesso, fazer contato telefônico com o cliente.
Mistério de horários e a tese de dopagem por "Boa Noite, Cinderela"
A investigação aponta que a dinâmica do crime envolve mais de uma pessoa e ações simultâneas. No mesmo período em que Pedro passava mal na calçada da Vila Madalena, o cartão dele era utilizado na região da Avenida Paulista. O celular da vítima também foi rastreado em uso na região central de São Paulo.
Como o advogado estava sem discernimento ou controle do próprio corpo, a polícia analisa duas possibilidades principais para o acesso às contas:
- Alguém próximo (como um conhecido recente) pode ter visualizado Pedro digitando suas senhas ao realizar compras anteriores em uma tabacaria e em um bar.
- A vítima, já sob forte efeito de sedativos, pode ter sido induzida a revelar ou digitar as senhas para os criminosos.
A dosagem excessiva de substâncias usadas nesse tipo de golpe (como o Rohypnol), combinada com o consumo de bebidas alcoólicas, é apontada pelas autoridades como potencialmente fatal, mesmo para pessoas que não possuem comorbidades prévias. A confirmação oficial sobre a presença de substâncias no organismo do advogado depende da conclusão do laudo necroscópico.
Carro misterioso e imagens de segurança
Outro ponto sob investigação é o transporte de Pedro de volta à Vila Madalena. A polícia confirmou que o advogado não utilizou o aplicativo Uber, pois não há registros de chamadas em sua conta oficial naquela noite.
Testemunhas relataram que Pedro foi retirado às pressas de um veículo por uma mulher porque estava passando mal e vomitando. Investigadores buscam identificar qual veículo realizou esse transporte.
As equipes de investigação solicitaram acesso às imagens de segurança de estabelecimentos locais que Pedro frequentou antes de morrer, bem como o suporte do sistema de monitoramento público Smart Sampa para mapear o trajeto percorrido e identificar as pessoas que interagiram com o advogado.
Próximos passos e depoimentos oficiais
O inquérito foi oficialmente transferido para o DHPP. O amigo de Pedro, que esteve com ele antes do desaparecimento e desembarcou no bairro de Moema, já foi intimado para prestar depoimento formal. Anteriormente, ele havia apenas conversado informalmente com policiais do 14º DP.
A polícia também deve colher novos depoimentos com familiares para entender o histórico médico de Pedro Ely Cordeiro e aguarda o resultado definitivo dos exames periciais para tipificar formalmente o caso como latrocínio.
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