Polícia resgata mulher filipina grávida mantida em cárcere privado em SP
Vítima era impedida de sair com o filho e tinha os seus documentos retidos pelo agresso

Uma operação da Polícia Militar de São Paulo resultou na libertação de uma mulher de nacionalidade filipina que era mantida em cárcere privado. A ação ocorreu após denúncias de vizinhos que notaram a situação de abuso na residência onde a vítima vivia com o seu filho e o companheiro.
Continua depois da publicidade
De acordo com os relatos obtidos durante a intervenção policial, a mulher vivia sob constante vigilância e manipulação psicológica. Embora o agressor por vezes deixasse a chave da residência, ele utilizava o próprio filho do casal --uma criança nascida no Rio de Janeiro-- como moeda de troca para garantir que ela não fugisse.
"Eu posso sair, mas quando eu saio eu não posso sair com o meu filho", relatou a vítima aos policiais, explicando que, se decidisse não voltar, teria de abandonar a criança.
Além do impedimento físico e emocional, a mulher estava em situação de vulnerabilidade documental. O homem reteve os seus documentos de identificação, deixando-a sem o registo de estrangeiro necessário para circular no Brasil ou para tentar regressar ao convívio da sua família, que reside atualmente nos Estados Unidos.
Continua depois da publicidade
O suspeito, que também é filipino, não se encontrava no local no momento em que a polícia chegou, mas foi localizado e preso pouco depois. Ele já possuía um histórico de criminalidade no seu país de origem, onde respondia por violência doméstica e possuía um mandado de prisão em aberto, motivo pelo qual teria escolhido fugir para o Brasil.
A importância da denúncia
O Grupo Bandeirantes lançou nesta semana a campanha "Band Não Se Cala" para reforçar a conscientização e o incentivo às denúncias de agressões, estupros e feminicídios em todo o Brasil. A mobilização pretende engajar a sociedade no acolhimento às vítimas e no enfrentamento da impunidade.
A cada 30 segundos, uma mulher aciona a Polícia Militar para pedir socorro no país. Além disso, as estatísticas indicam o registro de um estupro a cada 6 minutos e um feminicídio a cada 6 horas no Brasil. O quadro expõe uma rotina marcada pelo medo, pela solidão e pelo silêncio das vítimas.
Continua depois da publicidade
