
Policial civil vira alvo da Corregedoria por suspeita de sequestro em SP
Band TV
Um investigador da Polícia Civil de São Paulo, que já era investigado por prevaricação durante uma operação em Mogi Mirim, agora é alvo de um novo inquérito sob a suspeita de participar do sequestro de um homem em Artur Alvim, na Zona Leste da capital paulista.
O policial Rafael Juergen Schult é alvo de um procedimento instaurado em maio pela Corregedoria da Polícia Civil, com cento e sessenta e cinco páginas. A investigação inicial começou após a Justiça levantar suspeitas sobre uma prisão em flagrante realizada por policiais do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) em Mogi Mirim, no interior paulista, em setembro de 2023.
Imagens flagram movimentação em bar
Na época da operação no interior, Schult trabalhava na Quinta Dise do Denarc. Câmeras de segurança de um bar registraram a movimentação antes da prisão de três homens. Nas imagens, o policial aparece de camiseta cinza, bermuda branca e boné preto, carregando uma mochila preta. O próprio parceiro de Schult fez a identificação em depoimento à Corregedoria.
O registro mostra o agente entrando e saindo do estabelecimento. Em uma sala reservada, maços de dinheiro foram retirados, colocados sobre uma mesa e contados.
Versões divergentes sobre operação
A origem e a finalidade da quantia tornaram-se o ponto central das versões apresentadas à Corregedoria. O parceiro de Schult afirmou que o dinheiro era "cinematográfico" e foi usado durante a negociação com traficantes apenas para apreender as drogas. Ele relatou que ficou do lado de fora do bar, mantendo contato mínimo com o colega por aplicativo de mensagens.
Após a contagem do dinheiro e a confirmação de que a cocaína estava em uma casa ao lado, os policiais realizaram o flagrante. No entanto, a defesa de um dos presos apresentou outra versão, afirmando que o cliente acreditava que o montante estava relacionado à venda de uma chácara. A advogada declarou que a quantia não foi apreendida nem constou no relatório policial. O inquérito apura se a ação foi uma operação autônoma dos dois policiais e se houve ilegalidades nas prisões. Pouco mais de dez quilos de cocaína foram apreendidos na ocasião.
Suspeita de envolvimento em sequestro
A Corregedoria apura também a participação do informante que aparecia nas imagens ao lado de Schult. O policial disse que o homem pediu para ser chamado apenas de "Alemão" e teria se passado por comprador utilizando o dinheiro simulado. Após a prisão, o informante foi liberado sem que seus dados pessoais fossem recolhidos, sob a alegação de pedido de sigilo.
Agora, Rafael Schult volta a ser investigado por suspeita de participação no sequestro de um homem em Artur Alvim. Imagens mostram a vítima sendo rendida, algemada e colocada no porta-malas de um carro. O homem continua desaparecido.
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