O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou nesta quarta-feira (5) o descumprimento das determinações da Justiça do Trabalho durante a greve dos ferroviários das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM e afirmou já ter questionado o presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) sobre o assunto.
Em entrevista exclusiva ao Brasil Urgente pouco depois de a paralisação ser suspensa, o governador disse que a ordem judicial de manutenção de frota mínima foi ignorada pela categoria.
O TRT havia determinado a operação de 80% do efetivo nos horários de pico e de 60% nos demais períodos, sob pena de multa diária de R$ 400 mil ao sindicato. Segundo Tarcísio, o cumprimento ficou muito abaixo do exigido.
"Nós tínhamos aí uma quantidade enorme de maquinistas, 126 maquinistas, uma determinação de 80% de trabalho para botar a frota em marcha e só três maquinistas foram trabalhar", afirmou. Para o governador, o episódio representa uma quebra de isonomia. "Por que todo cidadão precisa cumprir aquela decisão judicial e, de repente, o sindicato não precisa, o sindicato ignora?", questionou.
Tarcísio defendeu que a Justiça do Trabalho reaja a situações desse tipo. "Eu entendo que a Justiça do Trabalho tem que fazer valer a sua autoridade, porque, do contrário, a gente vai ter o caos. A gente não vai ter uma convivência civilizada", declarou. O governador reconheceu que a greve é um direito legítimo e constitucional, mas ressaltou que o transporte é um serviço essencial, submetido ao princípio da continuidade.
O governador voltou a demonstrar incômodo com as cenas de estações lotadas e de mulheres imprensadas em ônibus do plano de contingência, sobretudo na estação Engenheiro Goulart, e afirmou que São Paulo não pode ficar "refém de sindicato".
Tarcísio cobrou responsabilização direta pelos transtornos e atribuiu a crise a dois dirigentes sindicais. "A única responsabilidade por essa situação toda, por esse caos todo, é dois sindicalistas, dois dirigentes sindicais que não têm compromisso com o cidadão", afirmou.
A greve começou na terça-feira (4) e se estendeu por dois dias, afetando cerca de um milhão de passageiros que dependem das três linhas atingidas, que ligam o centro da capital ao extremo leste da cidade e à Região Metropolitana.
A paralisação teve origem no impasse sobre a garantia de empregos durante a transição operacional das linhas, retomadas temporariamente pela CPTM após uma série de falhas técnicas que aconteceram desde que a Trivia Trens assumiu a das linhas.
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