O vale-refeição recebido pelos trabalhadores brasileiros tem durado cada vez menos e é consumido, em média, em até 12 dias de trabalho. É o que revela uma pesquisa feita por uma empresa de benefícios corporativos sobre os hábitos de consumo no país. Com a alta nos preços dos restaurantes e self-services, o saldo que deveria cobrir os custos de alimentação do mês inteiro acaba antes da metade do período trabalhado, forçando os trabalhadores a buscar alternativas para economizar no dia a dia.
Para contornar o orçamento apertado, a tradicional marmita feita em casa voltou a ganhar espaço na rotina de quem trabalha presencialmente. A representante comercial Amanda Câmara conta que prepara a própria refeição ao menos duas vezes por semana para levar ao trabalho na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo. Ela afirma que a comida caseira garante economia e permite manter o controle do tempero e do preparo.
Marmita caseira e pratos baratos aliviam o orçamento
Mesmo nos dias em que não cozinha em casa, Amanda encontra saídas para não gastar todo o orçamento de alimentação. Ela relata que descobriu um restaurante na região que vende marmitex por R$ 20, valor que divide com o companheiro de trabalho. Na divisão, a refeição sai por R$ 10 para cada um, o que ela considera um achado diante dos custos da região.
Por outro lado, quem precisa almoçar fora diariamente enfrenta um impacto direto nas finanças pessoais. O advogado João Victor Batista, que come em restaurantes todos os dias, relata que o benefício concedido pela empresa acaba rapidamente. Segundo ele, um prato convencional de buffet por quilômetro — composto por arroz, feijão, salada e proteína — custa cerca de R$ 51,98. João Victor estima que precisa desembolsar aproximadamente R$ 1.000 por mês do próprio bolso para complementar os custos de alimentação.
Planejamento e desvio de finalidade explicam fim rápido do VR
Segundo o consultor financeiro Rodrigo Mendrone, o segredo para fazer o benefício render até o final do mês é o planejamento. O especialista orienta que o trabalhador divida o valor total do vale-refeição pelo número exato de dias trabalhados no mês para estabelecer um teto de gasto diário. Mendrone sugere alternar dias de almoço em restaurantes com dias de marmita levada de casa, garantindo assim que o saldo dure mais tempo.
Além da inflação dos alimentos preparados fora de casa, proprietários de estabelecimentos comerciais apontam outro fator para o fim precoce do saldo: o desvio de finalidade. Maria Teresa, dona de um restaurante na zona sul de São Paulo, afirma que muitos clientes utilizam o cartão de vale-refeição para pagar despesas como café da manhã, happy hour, pizzas no período noturno e compras no fim de semana. Segundo a comerciante, como o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) foi criado focado no almoço diário, a utilização do saldo em outros momentos acelera o esgotamento do benefício.
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