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Aécio diz que migração do voto tucano definiu vitória de Lula em 2022

Deputado detalha pesquisa que rastreou o eleitorado de centro do PSDB e aponta um contingente "móvel" como fiel da balança nas últimas disputas

Da redação
DA REDAÇÃO

07/06/2026 • 06:00 • Atualizado em 07/06/2026 • 06:00

Aécio diz que migração do voto tucano definiu vitória de Lula em 2022

Aécio diz que migração do voto tucano definiu vitória de Lula em 2022

Alex Loyola/PSDB

O deputado e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, afirmou em entrevista ao Canal Livre que a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição de 2022 foi decidida pela movimentação do eleitorado de centro que, por três pleitos consecutivos, sustentou as candidaturas tucanas à Presidência.

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Segundo ele, esse contingente, que chamou de "eleitorado móvel", deixou de ter no PSDB sua referência e passou a oscilar entre os dois polos que dominaram a disputa nacional. Para entender o esvaziamento do partido, Aécio disse ter encomendado um levantamento sobre o comportamento desse grupo.

"Nós conseguimos fazer um extrato do eleitorado tucano", afirmou, o definindo como o eleitor de centro que votou no PSDB em 2006, 2010 e 2014, quando a legenda lançou três candidatos diferentes: Geraldo Alckmin – hoje vice de Lula –, José Serra e o próprio Aécio.

Esse foi o eleitorado que, segundo ele, quase o levou à vitória em 2014 e que praticamente desapareceu das urnas tucanas em 2018, ano em que Alckmin obteve pouco mais de 4% dos votos. "78% dele foi para o Bolsonaro, porque o Bolsonaro era o anti-PT", disse, ao explicar o destino dos votos naquela eleição.

Aécio associou o fenômeno à própria origem do PSDB, formado, em sua avaliação, no embate conceitual com o PT e com a visão de gestão pública representada pelo partido.

O ex-governador de Minas Gerais relatou que a pesquisa foi repetida após o pleito de 2022, com o mesmo universo de eleitores, para mapear o novo deslocamento. Dos 78% que haviam apoiado Jair Bolsonaro (PL) em 2018, 58% permaneceram com ele. A diferença, de cerca de 20 pontos, migrou para Lula.

Foi essa fração, na análise de Aécio, que definiu o resultado. Ele atribuiu a mudança ao desgaste do fim do governo Bolsonaro, em especial à condução da pandemia. A movimentação desses eleitores "serviu para dar aquela margenzinha ali de 1, 2% que foi suficiente para o Lula ganhar a eleição".

Ao analisar por que a centro-direita modernizante que o PSDB representou perdeu protagonismo em poucos anos para um novo conservadorismo, Aécio reconheceu uma limitação do próprio partido. "Nós talvez não tenhamos tido a capacidade de enraizar esse eleitorado", afirmou, ao descrever um contingente que se tornou decisivo nas disputas presidenciais recentes.

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