
Celular é proibido nas escolas do Rio
Reprodução/Band
O Brasil vive, em 2025, o maior pico de interesse já registrado sobre os efeitos do uso excessivo de celular. Segundo a Sala Digital, parceria entre Band e Google, as buscas pelo tema aumentaram 140% nos últimos cinco anos, mais do que o dobro. Entre as perguntas mais frequentes dos brasileiros na ferramenta de pesquisa, uma se destaca de forma consistente: “O que o uso excessivo de celular pode causar?”
A pergunta, tão direta quanto urgente, revela um país que tenta entender o impacto de um hábito que já não é periférico, mas sim cotidiano, automático e, muitas vezes, invisível.
Dados do IBGE mostram que o celular é, hoje, o principal meio de acesso à internet no país, usado por 90,2% da população de 10 anos ou mais. Já o relatório “Digital 2024”, da We Are Social em parceria com a Kepios, aponta que os brasileiros passam, em média, 3 horas e 46 minutos por dia no smartphone — uma das maiores médias do mundo. É tempo suficiente para transformar um hábito tecnológico em um elemento central da vida social, profissional e emocional.
Abrimos o telefone para “só checar uma notificação” e, quando percebemos, meia hora passou. Repetimos isso dezenas de vezes por dia. O resultado é uma rotina fragmentada, marcada por interrupções constantes e um desconforto novo: a suspeita de que estamos ultrapassando limites que o corpo e a mente não conseguem mais ignorar.
O que a ciência já sabe
A literatura científica é clara: não existe risco único, isolado, que explique o “excesso”. Existe um conjunto de efeitos que se acumulam. Enquanto alguns são silenciosos, outros são perceptíveis em poucas semanas.
Estudos de ergonomia e ortopedia mostram que o uso prolongado em posição inclinada aumenta a carga sobre a região cervical, o que pode levar à chamada síndrome do pescoço de texto, quadro associado a dores, rigidez e até inflamações musculares. Para oftalmologistas, o problema mais recorrente é a fadiga ocular digital, marcada por ardência, visão turva temporária e dor ao final do dia.
Mas é na saúde mental que as pesquisas têm avançado mais rapidamente. Instituições internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que a alta exposição a telas está relacionada a alterações de sono — especialmente pelo uso noturno — e aumento de sintomas de ansiedade.
Isso não significa, segundo especialistas, que o celular “cause” esses quadros, mas que amplifica vulnerabilidades já existentes e cria ciclos de hiperestimulação difíceis de romper.
O aumento das buscas por termos como “doenças”, “distúrbios” e “malefícios” ligados ao uso excessivo do celular revela um desconforto coletivo. Trata-se de uma inquietação crescente sobre os limites que estamos ultrapassando e sobre os efeitos que já começamos a sentir no cotidiano.
Quanto mais o uso se naturaliza, mais difícil é reconhecê-lo como problema. O excesso raramente é percebido enquanto acontece. Costuma aparecer nos sintomas (sono bagunçado, dificuldade de foco, irritabilidade, cansaço visual) antes de virar diagnóstico.
O que especialistas orientam
Profissionais de saúde recomendam três ações centrais, baseadas em evidências:
- Estabelecer janelas sem tela, especialmente antes de dormir.
- Ajustar brilho e distância do aparelho, diminuindo a carga ocular.
- Mapear gatilhos de uso automático, como desbloquear o celular por impulso.
São medidas simples, mas que reduzem parte dos efeitos cumulativos descritos pelas pesquisas científicas.
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