Band Jornalismo

Uso excessivo de celular: principais riscos, efeitos e formas de reduzir

Buscas por impactos do uso prolongado de smartphone batem recorde em 2025; entenda o que especialistas apontam como principais consequências para saúde física e mental

Da redação
DA REDAÇÃO

24/11/2025 • 15:41 • Atualizado em 24/11/2025 • 15:41

Celular é proibido nas escolas do Rio

Celular é proibido nas escolas do Rio

Reprodução/Band

O Brasil vive, em 2025, o maior pico de interesse já registrado sobre os efeitos do uso excessivo de celular. Segundo a Sala Digital, parceria entre Band e Google, as buscas pelo tema aumentaram 140% nos últimos cinco anos, mais do que o dobro. Entre as perguntas mais frequentes dos brasileiros na ferramenta de pesquisa, uma se destaca de forma consistente: “O que o uso excessivo de celular pode causar?

Compartilhar

A pergunta, tão direta quanto urgente, revela um país que tenta entender o impacto de um hábito que já não é periférico, mas sim cotidiano, automático e, muitas vezes, invisível.

Dados do IBGE mostram que o celular é, hoje, o principal meio de acesso à internet no país, usado por 90,2% da população de 10 anos ou mais. Já o relatório “Digital 2024”, da We Are Social em parceria com a Kepios, aponta que os brasileiros passam, em média, 3 horas e 46 minutos por dia no smartphone — uma das maiores médias do mundo. É tempo suficiente para transformar um hábito tecnológico em um elemento central da vida social, profissional e emocional.

Abrimos o telefone para “só checar uma notificação” e, quando percebemos, meia hora passou. Repetimos isso dezenas de vezes por dia. O resultado é uma rotina fragmentada, marcada por interrupções constantes e um desconforto novo: a suspeita de que estamos ultrapassando limites que o corpo e a mente não conseguem mais ignorar.

O que a ciência já sabe

A literatura científica é clara: não existe risco único, isolado, que explique o “excesso”. Existe um conjunto de efeitos que se acumulam. Enquanto alguns são silenciosos, outros são perceptíveis em poucas semanas.

Estudos de ergonomia e ortopedia mostram que o uso prolongado em posição inclinada aumenta a carga sobre a região cervical, o que pode levar à chamada síndrome do pescoço de texto, quadro associado a dores, rigidez e até inflamações musculares. Para oftalmologistas, o problema mais recorrente é a fadiga ocular digital, marcada por ardência, visão turva temporária e dor ao final do dia.

Mas é na saúde mental que as pesquisas têm avançado mais rapidamente. Instituições internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que a alta exposição a telas está relacionada a alterações de sono — especialmente pelo uso noturno — e aumento de sintomas de ansiedade.

Isso não significa, segundo especialistas, que o celular “cause” esses quadros, mas que amplifica vulnerabilidades já existentes e cria ciclos de hiperestimulação difíceis de romper.

O aumento das buscas por termos como “doenças”, “distúrbios” e “malefícios” ligados ao uso excessivo do celular revela um desconforto coletivo. Trata-se de uma inquietação crescente sobre os limites que estamos ultrapassando e sobre os efeitos que já começamos a sentir no cotidiano.

Quanto mais o uso se naturaliza, mais difícil é reconhecê-lo como problema. O excesso raramente é percebido enquanto acontece. Costuma aparecer nos sintomas (sono bagunçado, dificuldade de foco, irritabilidade, cansaço visual) antes de virar diagnóstico.

O que especialistas orientam

Profissionais de saúde recomendam três ações centrais, baseadas em evidências:

  1. Estabelecer janelas sem tela, especialmente antes de dormir.
  2. Ajustar brilho e distância do aparelho, diminuindo a carga ocular.
  3. Mapear gatilhos de uso automático, como desbloquear o celular por impulso.

São medidas simples, mas que reduzem parte dos efeitos cumulativos descritos pelas pesquisas científicas.

Tópicos relacionados