
Queda de avião da Voepass em 2024 vitimou 68 pessoas
REUTERS/Carla Carniel
A investigação técnica do acidente com o avião da Voepass, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP) em 2024, entrou na reta final. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) informou que aproximadamente 95% dos trabalhos já foram concluídos pelos peritos.
Há cerca de uma semana, a reportagem da TV Band verificou que o Portal SIPAER indicava que o percentual era de 75%. A ferramenta reúne dados de ocorrências aeronáuticas ocorridas no Brasil nos últimos 10 anos.
Paralelamente ao avanço da investigação sobre os fatores que contribuíram com o acidente, representantes dos familiares das vítimas afirmaram nesta terça-feira (1º) que a Polícia Federal apresentou o laudo da perícia criminal sobre o caso.
Segundo o advogado da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283, Luciano Katarinhuk, os responsáveis pela tragédia deverão ser indiciados. A informação foi repassada após uma reunião com investigadores da PF em Campinas (SP). A corporação, no entanto, ainda não divulgou oficialmente o relatório.
“Nós sabemos que há indiciamento no caso da Voepass. O voo 2283 não ficará em vão. As pessoas que perderam suas vidas terão uma resposta para seus familiares”, afirmou o advogado.
A presidente da associação, Fátima Albuquerque, e também mãe de uma das vítimas, disse que os familiares tiveram acesso às conclusões dos laudos técnicos e defenderam que todos os responsáveis sejam responsabilizados.
“Nossa luta é para que amanhã o seu filho, a sua filha, o seu pai ou sua mãe não sejam vítimas de uma tragédia anunciada. Não foi um acidente, foi uma construção de negligência”, declarou.
Segundo Katarinhuk, a expectativa agora é pela conclusão formal do relatório da Polícia Federal para que o Ministério Público Federal analise o caso e decida sobre eventual apresentação de denúncia criminal.
Investigação técnica entra na fase final
Responsável por apurar exclusivamente os fatores que contribuíram para o acidente, sem apontar culpa ou responsabilidade civil e criminal, o CENIPA informou que a investigação atingiu cerca de 95% de desenvolvimento.
Ao longo dos últimos meses, os investigadores fizeram a leitura e análise dos dados das caixas-pretas, exames dos motores e de diversos componentes da aeronave, testes no sistema de degelo, estudos meteorológicos e entrevistas com pilotos, mecânicos e familiares da tripulação. A aeronáutica também analisou mais de 15 mil voos da frota da companhia para identificar possíveis padrões operacionais.
Entre as questões ainda analisadas estão aspectos relacionados à operação da aeronave, sistemas e componentes, manutenção, regulamentação e atuação da autoridade de aviação civil.
As próximas etapas incluem a conclusão das análises técnicas, elaboração do relatório final e o envio do documento para manifestação das autoridades de investigação da França e do Canadá, países fabricantes da aeronave e dos motores. Após essas etapas, o relatório deve ser publicado de forma definitiva.
Até o momento, o CENIPA ainda não emitiu recomendações de segurança relacionadas ao acidente.
Relembre o caso
O voo 2283 da Voepass decolou de Cascavel (PR) com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) na tarde de 9 de agosto de 2024. A bordo, estavam 58 passageiros, quatro tripulantes e um animal de estimação que pertencia a uma família venezuelana.
Durante o voo, o turbohélice bimotor ATR 72-500 enfrentou condições favoráveis à formação de gelo nas asas. Segundo o CENIPA, o sistema de detecção de gelo foi acionado diversas vezes ao longo do voo e, nos minutos finais, o avião passou a emitir alertas indicando perda de desempenho e a necessidade de aumentar a velocidade.
Segundos depois, foi registrado na cabine um aviso de estol, situação em que a aeronave perde a sustentação necessária para continuar voando normalmente.
Em seguida, os pilotos perderam o controle do avião, que entrou em um movimento de giro descontrolado chamado de “parafuso chato”, até cair sobre um condomínio residencial em Vinhedo, no interior de São Paulo. Todos os ocupantes morreram.
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