
Entenda o papel do Novo Confinamento Seguro (NSC) em Chernobyl
REUTERS/Valentyn Ogirenko/File Photo
O Novo Confinamento Seguro (NSC), estrutura de aço de 110 metros de altura e 36 mil toneladas que cobre o reator 4 da usina de Chernobyl, na Ucrânia, mostrou em 2025 a dimensão da sua engenharia ao resistir a um ataque de drone que perfurou o teto e provocou um incêndio de três semanas, sem alteração dos níveis de radiação na área. No próximo domingo (26), o acidente nuclear completa 40 anos.
O Novo Confinamento Seguro: a maior estrutura móvel do mundo
Construído para envolver o reator 4 de Chernobyl e o abrigo de emergência erguido às pressas após o acidente de 1986, o NSC é a maior estrutura móvel terrestre já construída no mundo.
Com 110 metros de altura e peso de 36 mil toneladas, a abóbada metálica foi concebida para ser deslocada sobre o prédio do reator e selar hermeticamente a área. A construção foi concluída em 2017.
Ou seja, Sim, o objetivo principal do NSC é minimizar ao máximo atividades humanas durante operações perigosas no local.
O objetivo central do NSC é permitir o desmantelamento remoto do antigo sarcófago e das partes mais instáveis da instalação. Seu projeto inclui sistemas internos de guindastes e equipamentos robotizados que vão retirar e empacotar, ao longo das próximas décadas, os materiais que ainda contêm combustível no fundo do reator.
A concepção da estrutura busca reduzir ao máximo a presença de trabalhadores no interior da área mais contaminada, concentrando as operações em controles remotos e monitoramento constante. O NSC funciona, assim, como um envelope que garante condições seguras para a etapa mais delicada da desativação definitiva do reator 4.
O ataque de drone em 2025 e os danos no teto de Chernobyl
Essa capacidade foi posta à prova em 14 de fevereiro de 2025, quando um drone atingiu o teto do NSC. O impacto perfurou o revestimento de aço interno e externo da abóbada e abriu um buraco de aproximadamente seis metros de diâmetro na cobertura da estrutura.
A explosão desencadeou um incêndio na camada de isolamento térmico instalada entre as chapas metálicas. As chamas não se espalharam para as áreas internas do reator, mas o material isolante ardeu lentamente por quase três semanas, até que o fogo foi totalmente extinto em 7 de março.po
Uma avaliação de segurança realizada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no fim de 2025 concluiu que o NSC perdeu a capacidade de confinamento primário por causa da perfuração no teto.
Ao mesmo tempo, a análise registrou que os níveis de radiação no entorno permaneceram dentro da normalidade durante todo o evento.
Segundo o relatório, a estrutura responsável por suportar as cargas da abóbada não sofreu danos significativos, e os sistemas de monitoramento permaneceram operacionais. Com isso, os técnicos puderam acompanhar em tempo real o comportamento da radiação e planejar os reparos sem necessidade de evacuações emergenciais.
Desmonte do reator e custos de reparação: o futuro do local até 2030
A reparação completa do NSC representa um desafio técnico e financeiro de grande porte. Estimativas do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (EBRD) indicam que o custo dos consertos pode ultrapassar 100 milhões de euros, valor que inclui o fechamento definitivo do buraco e a restauração da função integral de confinamento da estrutura.
Como medida imediata, equipes realizaram reparos temporários antes do inverno de 2025, para proteger a área interna de intempéries e limitar a degradação adicional.
Em fevereiro de 2026, o governo da Ucrânia destinou 31 milhões de euros do orçamento nacional para as obras de recuperação, enquanto integrantes do consórcio de construção original foram chamados para avaliar os danos e propor soluções definitivas.
A meta estabelecida pelas autoridades ucranianas e pelos financiadores internacionais é restaurar totalmente a capacidade de confinamento do NSC até 2030. Até lá, o cronograma do desmonte do reator 4 e do antigo abrigo seguirá ajustado às obras de reparação e à disponibilidade de recursos.
As dificuldades financeiras, a pandemia de Covid-19 e os conflitos militares na região já haviam levado à prorrogação, para outubro de 2029, da licença que autoriza o desmantelamento das partes mais instáveis do abrigo original de 1986.
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