Chuva de diamantes em Netuno e Urano: fenômeno cósmico cria joias no espaço
Estudo realizado por laboratórios dos EUA (SLAC e LLNL) confirmou que a pressão de 6 milhões de vezes a da Terra cristaliza o gás, gerando diamantes que podem pesar milhões de quilates

No Sistema Solar, a aproximadamente 4,5 bilhões de quilômetros do Sol, uma distância confirmada pelos dados da NASA, existe um fenômeno tão inacreditável que parece ficção científica: chovem diamantes em alguns planetas gigantes.
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Longe do calor do Sol, os planetas Netuno e Urano são os principais palcos deste espetáculo cósmico, onde a alta pressão atmosférica transforma elementos simples em joias preciosas, que se formam e caem em direção ao centro do planeta.
Como a chuva de diamantes acontece
O conceito de "chuva de diamantes" não é apenas uma teoria. Ele foi confirmado através de simulações de laboratório que replicaram a pressão e a temperatura extremas encontradas no interior desses planetas.
O processo, segundo a NASA e cientistas planetários, funciona em três etapas:
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Matéria-Prima: Urano e Netuno são classificados como "gigantes de gelo" porque são ricos em compostos voláteis como água, amônia e, crucialmente, metano (uma molécula feita de carbono e hidrogênio).
O Estouro: Descargas elétricas e tempestades massivas, semelhantes a raios, quebram as moléculas de metano nas camadas superiores da atmosfera.
A Pressão Extrema: Conforme o estudo "Formation of diamonds in mixtures of carbon, hydrogen, and oxygen at giant-planet conditions", realizado em colaboração entre o SLAC National Accelerator Laboratory e o Lawrence Livermore National Laboratory, a uma profundidade de cerca de 8.000 km, a pressão atinge um ponto crítico, sendo até 6 milhões de vezes maior do que a pressão que sentimos na Terra. Essa força esmaga o carbono liberado, forçando-o a se cristalizar em sua forma mais densa: o diamante.
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Os diamantes se formam no manto de gelo dos planetas e, por serem mais densos, afundam lentamente, como gotas de chuva, através das camadas até que o calor extremo os vaporize, e o ciclo se repete.
Diamantes do tamanho de icebergs
Os diamantes criados nessa pressão extrema não são apenas pequenas pedras. Ainda segundo o estudo "Formation of diamonds in mixtures of carbon, hydrogen, and oxygen at giant-planet conditions", embora as amostras de laboratório tenham gerado apenas nanodiamantes, os modelos científicos preveem que nos planetas, onde a pressão se mantém por milénios, as "gotas" de diamante podem atingir um tamanho gigantesco.
A pesquisa prevê que os diamantes poderiam acumular novas camadas durante a queda, chegando a ter milhões de quilates em peso ou formando blocos de metros de diâmetro.
Em Netuno, em particular, os cientistas teorizam que esses blocos podem flutuar sobre um oceano de carbono líquido superaquecido. Esse processo pode estar gerando mais de mil toneladas de diamantes por ano em cada um desses planetas.
