Band Jornalismo

Creatina: entenda para que serve, benefícios e quem deve evitar o suplemento

Composto tem eficácia comprovada para ganho de força e massa muscular, mas também apresenta possíveis benefícios para a função cerebral

GABRIELLE PEDRO

28/11/2025 • 14:36 • Atualizado em 28/11/2025 • 14:36

Freepik

A creatina é um dos suplementos mais populares e estudados no mundo fitness, reconhecida por sua capacidade de aumentar a força e a massa muscular.

Compartilhar

No entanto, seu uso e benefícios vão além das academias, estendendo-se a possíveis melhorias na função cerebral e apoio à saúde de idosos.

Entender o que é a substância, quem pode consumi-la e quais são os cuidados essenciais ao comprá-la é fundamental para usufruir de seus efeitos de forma segura e eficaz.

O que é creatina?

A creatina é um composto orgânico que o corpo produz naturalmente, principalmente no fígado, pâncreas e rins. Além da produção interna, ela está presente em alimentos de origem animal, como carne e peixe.

Sua função primária no organismo é atuar como uma fonte rápida de energia para as células, sendo armazenada majoritariamente nos músculos sob a forma de fosfocreatina, uma reserva energética essencial.

Essa reserva é crucial para atividades intensas e de curta duração, auxiliando diretamente no desempenho físico.

Benefícios

Os benefícios da creatina são amplamente reconhecidos pela ciência. Segundo o nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), Durval Ribas Filho, a creatina auxilia no aumento de força e potência e ajuda a melhorar o desempenho físico em treinos curtos e intensos.

Os benefícios mais comprovados incluem:

Aumento de força e potência muscular.

Melhora no desempenho em exercícios intensos, como corridas curtas, musculação e esportes explosivos.

Aumento da massa muscular, em parte devido ao treino mais eficiente e à maior retenção de água intramuscular.

Melhora da recuperação muscular.

Além do desempenho físico, estudos recentes indicam possíveis benefícios cognitivos. A nutricionista Letícia Manduca destaca que a creatina pode ajudar funções do cérebro, como memória e raciocínio, especialmente em períodos de privação de sono.

Quem pode tomar e quem deve evitar

De acordo com Durval, a suplementação de creatina é geralmente segura para a maioria dos adultos saudáveis. Além dos praticantes de atividades físicas, a creatina é recomendada para:

  • Vegetarianos ou veganos (que consomem pouca creatina natural).
  • Idosos com risco de sarcopenia (perda muscular), para auxiliar na manutenção da massa magra.
  • Estudantes ou profissionais em alta demanda mental, devido ao possível benefício cognitivo.

Para pessoas que não treinam, o uso é recomendado desde que haja um objetivo claro e real necessidade, como a prevenção da perda muscular, melhora da função cerebral ou recuperação de cirurgias/condições clínicas.

Contraindicações e cuidados

Embora seja considerada segura para a maioria, o nutrólogo alerta que pessoas com doenças renais, mulheres grávidas ou em fase de crescimento devem conversar com um profissional médico antes de usar a creatina. A nutricionista Manduca complementa que indivíduos com sensibilidade renal também devem ter cautela.

Tipos de creatina

Existem diversos tipos de creatina no mercado, como:

  • Creatina monohidratada
  • Creatina citrato
  • Creatina malato
  • Creatina etil éster
  • Creatina quelato de magnésio

Entre todas, a creatina monohidratada é o padrão-ouro. Ela é a forma mais estudada, mais barata, segura e eficaz, com resultados comprovados em múltiplos ensaios clínicos e revisões sistemáticas.

A creatina micronizada é um tipo de monohidratada, apenas processada para ter partículas menores e facilitar a dissolução.

Ao comprar o suplemento, o nutrólogo ressalta a importância de ler o rótulo para garantir um produto puro, eficaz e seguro. As pessoas devem se atentar a:

Tipo de creatina: Procurar pela creatina monohidratada, evitando creatinas sem procedência clara, pois podem ter impurezas ou subdosagem.

Pureza e Certificações: Buscar selos de qualidade como Creapure (reconhecida por ser uma das mais puras) ou de boas práticas de fabricação.

Registro: Verificar se o produto possui registro ou notificação na Anvisa.

Dosagem: A dose padrão é de 3 a 5g por dia; desconfie de marcas que indiquem doses estranhamente maiores ou muito menores.

Tópicos relacionados