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Crise migratória na fronteira entre Marrocos e Espanha gera alerta na UE

Situação em Ceuta saiu de controle. Estima-se que quase 50 mil imigrantes ilegais cruzaram para a Europa, inclusive a nado

Da redação
DA REDAÇÃO

31/07/2026 • 09:28 • Atualizado em 31/07/2026 • 09:30

Sonia Blota
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Ceuta é uma cidade espanhola, mas fica no continente africano, na costa norte do Marrocos. Ela está bem na entrada do Estreito de Gibraltar, a apenas cerca de 20 quilômetros da Espanha continental. Quem entra em Ceuta já está em território espanhol e, como a Espanha faz parte da União Europeia, o local é uma das únicas fronteiras terrestres entre a África e a União Europeia; a outra é Melilla.

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Frequentemente, imigrantes africanos que tentam entrar na Europa usam o enclave como uma ponte. Mas ontem a situação saiu de controle. Estima-se que quase 50 mil imigrantes ilegais cruzaram para a Europa e, acreditem, inclusive a nado. Pelo menos 15 morreram.

O governo espanhol disse que a situação está fora de controle e acionou o Exército. Derrubando as grades de proteção, a multidão de marroquinos gritava em coro: “Adeus, Marrocos, e olá, Espanha”. A polícia de fronteira não teve o que fazer.

Para evitar uma tragédia maior, abriu os portões de entrada para a Europa. E estamos falando de uma primeira leva. Outras milhares de pessoas continuam se deslocando do Marrocos para o Velho Continente.

Reações na Europa e debate sobre as políticas de asilo

A imigração ilegal para a Europa continua muito forte, mas a agência da ONU para refugiados (Acnur) admite que a recente decisão do Supremo Tribunal espanhol determina: somente imigrantes que ultrapassam fronteiras com barreiras e controles podem ser expulsos sumariamente. Porém, quem entra por via marítima, a nado, tem direito à entrevista e à possibilidade de asilo, sem procedimento sumário de rejeição na fronteira.

O plano do governo Pedro Sánchez de regularizar imigrantes ilegais que já estão na Espanha contribuiu. Mais de um milhão de ilegais solicitaram a regularização de sua situação no país. O premiê espanhol alega que a imigração supre a necessidade de mão de obra, ajuda na demografia da Espanha e dá fôlego à economia.

O problema é que boa parte da população — não só espanhola, mas europeia — tem o pensamento oposto. Alegam que pagam pesados impostos e, mesmo assim, veem o serviço público se deteriorar, enquanto imigrantes chegam e acessam todo o bem-estar europeu: saúde, medicamentos e educação.

Impacto político e o avanço da direita

A cena provocou reação imediata de países da União Europeia. A premiê italiana Giorgia Meloni defendeu a saída temporária da Espanha do Espaço Schengen — tratado de livre circulação pela Europa. A França acaba de aumentar o controle de sua fronteira com a Espanha.

Há um grande debate sobre imigração e asilo. Boa parte da população acha que há exagero nas políticas migratórias. E, com o discurso anti-imigração, a direita vem ganhando o voto dos indecisos em todo o continente. Só que este assunto extrapolou a Europa e virou um dos mais debatidos no mundo todo, seja no Brasil, nos Estados Unidos ou em vários outros países.

Lideranças direitistas internacionais pegam a bandeira da anti-imigração e atacam a esquerda, que defende o acolhimento de estrangeiros. Na França, no ano que vem, haverá eleições presidenciais, e este é um dos assuntos mais efervescentes e pode levar à vitória da direitista Marine Le Pen, com tornozeleira eletrônica e tudo.

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