Gastos com 'penduricalhos' no MP e Judiciário somam R$ 17 bilhões por ano
Documento enviado ao STF calcula impacto e sugere limite extra para verbas indenizatórias

Dados entregues ao Supremo Tribunal Federal (STF) por uma comissão técnica formada por representantes dos Três Poderes indicam que os gastos anuais com pagamentos extras a magistrados e membros do Ministério Público somam R$ 17 bilhões, segundo relatório que servirá de subsídio ao julgamento sobre o teto remuneratório marcado para esta quarta-feira (25), em Brasília.
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De acordo com o documento, as despesas com parcelas que ultrapassam o teto do funcionalismo na magistratura chegam a R$ 9,8 bilhões por ano. No Ministério Público, o montante estimado é de R$ 7,2 bilhões. O teto constitucional é equivalente ao salário de um ministro do STF, hoje em R$ 46,3 mil.
Os chamados "penduricalhos" reúnem verbas indenizatórias e outras parcelas pagas além da remuneração básica. Segundo os cálculos apresentados pela comissão, o percentual efetivo que supera o teto pago atualmente a magistrados é de 82%. Isso significa que, em média, juízes recebem 82% a mais do que o limite constitucional.
Proposta de limite global para extras
Para enfrentar o problema, o relatório sugere a criação de um limite global para os "penduricalhos", que funcionaria como uma espécie de segundo teto. A ideia é permitir o pagamento de verbas indenizatórias até um determinado patamar, sem que a soma ultrapasse esse novo limite.
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O texto não fixa um percentual específico, mas apresenta diferentes cenários para orientar a decisão dos ministros do STF. As simulações variam entre 30% e 70% do valor do teto atual, sempre tomando como referência o subsídio dos integrantes da Suprema Corte.
Se o STF adotar um limite de até 30% sobre o teto, a comissão estima uma economia anual de R$ 825 milhões. Já um limite mais amplo, de 70%, resultaria em aumento de gasto, calculado em R$ 180 milhões por ano, conforme as projeções encaminhadas ao tribunal.
Julgamento deve orientar aplicação do teto
O julgamento desta quarta-feira (25) deve discutir a forma de aplicação do teto remuneratório no serviço público e o alcance das exceções hoje previstas. As informações reunidas pela comissão buscam oferecer um panorama do impacto financeiro das diferentes interpretações sobre o tema.
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Segundo o relatório, a definição de um modelo de transição e de um limite global para pagamentos extras tende a uniformizar a aplicação do teto em todo o país. Caberá aos ministros do STF decidir se adotam alguma das faixas sugeridas ou se estabelecem outro critério para os "penduricalhos" de magistrados e membros do Ministério Público.
Com informações do Estadão Conteúdo
