
Inglaterra
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Após a renúncia do primeiro-ministro britânico Keir Starmer, o também trabalhista Andy Burnham se prepara para assumir o governo do Reino Unido. Já é o sétimo primeiro-ministro a ocupar o cargo desde 2016, ano em que aconteceu o referendo do Brexit, quando o Reino Unido decidiu deixar a União Europeia, fato que se concretizou em 2020. A avaliação dos britânicos é que a saída foi ‘um fracasso’.
A população britânica, especialmente os mais velhos, exigia maior controle sobre a imigração, menor dependência das instituições europeias, recuperação da soberania legislativa do Reino Unido e maior controle sobre os recursos financeiros enviados à União Europeia. Havia um mau humor da população contra as chamadas elites políticas, que até hoje são consideradas distantes das preocupações dos cidadãos.
Hoje faz dez anos da decisão de saída do país da União Europeia. Uma década depois, pesquisas indicam que dois terços dos britânicos consideram que o Brexit foi negativo para o país. Ou seja, para a maioria dos britânicos, o Brexit foi um fracasso. Eles consideram que a população ficou mais pobre e menos segura no cenário geopolítico atual em razão da decisão de romper com o bloco europeu.
As novas oportunidades de crescimento econômico, de comércio e até mesmo a gestão da imigração ilegal são alvo de críticas. Em pesquisas de opinião, quando questionados sobre os principais benefícios do Brexit, os cidadãos respondem com mais frequência: “não sei”.
Atualmente, 63% dos eleitores britânicos aceitariam o retorno da liberdade de circulação entre os países, como existe hoje entre os 27 membros da União Europeia, já que desejam uma relação comercial mais estreita com o bloco. Os britânicos também apontam os vizinhos europeus como parceiros preferenciais de segurança, e não os Estados Unidos. Além disso, 58% são favoráveis a relações de defesa mais estreitas com a Europa. Também entendem que compartilham os mesmos valores de países como França, Alemanha e Espanha.
De fato, os dados indicam que a saída do Reino Unido não produziu os resultados esperados pela maioria dos eleitores . Londres perdeu importantes laços comerciais com a União Europeia, o que prejudicou o crescimento econômico do país. Até mesmo na questão da imigração ilegal — principal fator que levou à saída do bloco — não houve o resultado esperado. Barcos com imigrantes ilegais continuam chegando da mesma forma que antes.
No contexto atual, a dependência do Reino Unido em relação aos Estados Unidos para garantir sua segurança também se mostrou um erro, diante de uma Washington que reduz seu compromisso com o multilateralismo e passa a priorizar cada vez mais os próprios interesses.
O fato é que, se hoje se fala de uma Europa que teria parado no tempo, o Reino Unido encontra-se em uma situação ainda pior, sentindo-se uma grande ilha isolada. Não há decisões fáceis para problemas complexos. Em um momento de mau humor, os britânicos decidiram sair e agora percebem a necessidade de se relacionar novamente com o bloco europeu.
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