Londres, uma das capitais financeiras mais importantes da Europa, enfrenta uma realidade social difícil. Uma crise imobiliária sem precedentes, impulsionada pela disparada nos preços dos aluguéis, gerou uma onda de despejos que mudou a paisagem da cidade.
Barracas de camping agora ocupam calçadas no coração da capital inglesa, inclusive próximas a pontos turísticos e de grande circulação, como a estação de King's Cross.
Segundo dados apresentados pelo correspondente Felipe Kieling, entre abril de 2024 e março de 2025, 13.231 pessoas foram registradas dormindo nas ruas de Londres. O número representa um aumento de cerca de 10% em relação ao ano anterior.
Aluguel nas alturas e custo de vida insustentável
O principal motor desse fenômeno é o custo proibitivo da moradia. Viver em Londres tornou-se um luxo para poucos, com valores que superam em mais que o dobro a média nacional do Reino Unido.
Os números da crise impressionam:
- Preço médio do aluguel: £ 2.243 (aproximadamente R$ 15.894 mensais).
- Quarto simples em casa compartilhada: Pode chegar a mais de £ 1.000 (cerca de R$ 7.000).
Além do valor do imóvel, as contas básicas de consumo — como água, luz e gás — também sofreram aumentos drásticos nos últimos anos, tornando a manutenção de uma casa uma tarefa cada vez mais difícil. Dimitri, um imigrante búlgaro que vive na Inglaterra desde 2021, resume o sentimento geral: "Tudo é caro em Londres".
Do emprego às ruas: o drama de quem perdeu tudo
A crise não afeta apenas desempregados de longa data. Liam, um cidadão inglês que vive nas ruas há quatro meses, relata como perdeu sua moradia rapidamente. Ele trabalhava em um pub e vivia em um quarto nos fundos do estabelecimento.
"O dono não pagou as contas e um oficial de justiça fechou o local. Meu chefe faliu e não pagou meu salário", explica Liam. Ao procurar ajuda na prefeitura, ele recebeu a resposta de que o governo "não tinha a obrigação" de ajudá-lo.
Aumento de impostos no horizonte
Enquanto a população luta para manter um teto sobre suas cabeças, o Parlamento britânico debate um novo orçamento. A promessa do governo é reduzir a dívida pública, mas a solução recairá sobre os contribuintes. A previsão é de um aumento de impostos na ordem de 26 bilhões de libras até 2030, o que pode agravar ainda mais a situação financeira dos moradores da capital.
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