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Dos Vikings a Donald Trump: confira a história da Groenlândia

Trump diz que EUA foram "estúpidos" ao devolverem território à Dinamarca, embora jamais o tenham controlado. Em 1721, um pastor hasteou a bandeira dinamarquesa na ilha, selando o destino do local

Deutsche Welle
DEUTSCHE WELLE

21/01/2026 • 18:52 • Atualizado em 21/01/2026 • 19:00

Groelândia

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Pixabay

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou polêmica internacional ao discursar nesta quarta-feira (21) no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Trump afirmou que os americanos foram "estúpidos" ao devolverem a Groenlândia à Dinamarca após a Segunda Guerra Mundial, classificando o país europeu como "ingrato".

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A declaração ocorre em meio à insistência do governo americano de que os Estados Unidos "precisam da Groenlândia" devido à sua localização estratégica e vastos recursos minerais.

Apesar das afirmações do presidente, os Estados Unidos jamais tiveram soberania formal sobre o território ártico. Durante a Segunda Guerra Mundial, com a ocupação da Dinamarca pela Alemanha nazista, Washington firmou um acordo em 1941 para defender a ilha e estabelecer bases militares, mas o controle político nunca foi transferido.

Disputas históricas e o processo de colonização

A história da Groenlândia é marcada por sucessivas ondas migratórias e conflitos de soberania. Há cerca de 4.500 anos, os primeiros habitantes chegaram do continente norte-americano, sendo substituídos no século 12 pela cultura Thule, cujos descendentes inuítes formam hoje a maioria dos 56 mil habitantes. A colonização europeia começou com o viking Erik, o Vermelho, por volta de 982, e foi consolidada a partir de 1721 pelo pastor norueguês Hans Egede, que estabeleceu as bases da atual capital, Nuuk.

A posse definitiva pela Dinamarca foi ratificada apenas no século 20:

  • Conflito com a Noruega: Em 1931, a Noruega ocupou partes da ilha, mas a Corte Internacional de Justiça decidiu, em 1933, que todo o território pertencia aos dinamarqueses.
  • Acordos com os EUA: Em 1916, os EUA garantiram respeitar o domínio dinamarquês em troca da compra das Ilhas Virgens por 25 milhões de dólares.
  • Tentativas de compra: Após a Segunda Guerra Mundial, em 1946, Harry S. Truman ofereceu 100 milhões de dólares em ouro pela ilha, proposta rejeitada por Copenhague.

Injustiças coloniais e o desejo de independência

A relação entre Groenlândia e Dinamarca também é marcada por episódios de violência institucional. Na década de 1950, crianças inuítes foram separadas de suas famílias para serem criadas como "dinamarquesas", e políticas de contracepção forçada foram praticadas até os anos 1970.

Atualmente, a ilha goza de autonomia quase completa desde 2009, com Copenhague mantendo autoridade apenas sobre política externa e de segurança. Apesar do interesse renovado de Donald Trump, a resistência local é alta: pesquisas indicam que 85% dos groenlandeses se opõem à anexação pelos Estados Unidos, mantendo o foco na busca pela independência total.

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