
Groelândia
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou polêmica internacional ao discursar nesta quarta-feira (21) no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Trump afirmou que os americanos foram "estúpidos" ao devolverem a Groenlândia à Dinamarca após a Segunda Guerra Mundial, classificando o país europeu como "ingrato".
A declaração ocorre em meio à insistência do governo americano de que os Estados Unidos "precisam da Groenlândia" devido à sua localização estratégica e vastos recursos minerais.
Apesar das afirmações do presidente, os Estados Unidos jamais tiveram soberania formal sobre o território ártico. Durante a Segunda Guerra Mundial, com a ocupação da Dinamarca pela Alemanha nazista, Washington firmou um acordo em 1941 para defender a ilha e estabelecer bases militares, mas o controle político nunca foi transferido.
Disputas históricas e o processo de colonização
A história da Groenlândia é marcada por sucessivas ondas migratórias e conflitos de soberania. Há cerca de 4.500 anos, os primeiros habitantes chegaram do continente norte-americano, sendo substituídos no século 12 pela cultura Thule, cujos descendentes inuítes formam hoje a maioria dos 56 mil habitantes. A colonização europeia começou com o viking Erik, o Vermelho, por volta de 982, e foi consolidada a partir de 1721 pelo pastor norueguês Hans Egede, que estabeleceu as bases da atual capital, Nuuk.
A posse definitiva pela Dinamarca foi ratificada apenas no século 20:
- Conflito com a Noruega: Em 1931, a Noruega ocupou partes da ilha, mas a Corte Internacional de Justiça decidiu, em 1933, que todo o território pertencia aos dinamarqueses.
- Acordos com os EUA: Em 1916, os EUA garantiram respeitar o domínio dinamarquês em troca da compra das Ilhas Virgens por 25 milhões de dólares.
- Tentativas de compra: Após a Segunda Guerra Mundial, em 1946, Harry S. Truman ofereceu 100 milhões de dólares em ouro pela ilha, proposta rejeitada por Copenhague.
Injustiças coloniais e o desejo de independência
A relação entre Groenlândia e Dinamarca também é marcada por episódios de violência institucional. Na década de 1950, crianças inuítes foram separadas de suas famílias para serem criadas como "dinamarquesas", e políticas de contracepção forçada foram praticadas até os anos 1970.
Atualmente, a ilha goza de autonomia quase completa desde 2009, com Copenhague mantendo autoridade apenas sobre política externa e de segurança. Apesar do interesse renovado de Donald Trump, a resistência local é alta: pesquisas indicam que 85% dos groenlandeses se opõem à anexação pelos Estados Unidos, mantendo o foco na busca pela independência total.
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