O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participaram nesta sexta-feira (27), na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), de sessão solene em homenagem ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, na primeira aparição pública conjunta desde o lançamento da pré-candidatura presidencial do senador ao Palácio do Planalto, em gesto de aproximação política.
No discurso, Tarcísio chamou Flávio de "futuro presidente do Brasil" e relatou ter tido um "excelente papo sobre o Brasil" com o senador, em café da manhã reservado no Palácio dos Bandeirantes antes da cerimônia.
"Flávio será capaz de unir todos num projeto convergente", disse, em referência à tentativa de acomodar, em torno do nome de Flávio, as principais forças do campo conservador para a disputa à presidência
Flávio retribuiu as falas e afirmou que "estava aguardando o momento de estar ao lado do governador Tarcísio". "É o momento mais importante das nossas vidas para os próximos 40 anos", acrescentou, ao defender a construção de um projeto comum.
Movimentos para reduzir ruídos
Aliados dos dois interpretaram tanto o encontro no Bandeirantes quanto a presença conjunta na Alesp como movimentos para reduzir ruídos e demonstrar coordenação na pré-campanha, após cobranças públicas sobre o grau de engajamento de Tarcísio. Depois do café, Flávio publicou nas redes sociais uma foto ao lado do governador.
Desde o anúncio da pré-candidatura, em dezembro do ano passado, Tarcísio adotava discurso de foco exclusivo na gestão estadual e evitava declarações enfáticas de apoio. A cautela gerou incômodo em parte da base bolsonarista, que esperava uma adesão mais explícita do governador ao projeto presidencial do senador.
Disputa pela vice agita base em SP
A agenda desta sexta-feira teve como pano de fundo a homenagem a Valdemar Costa Neto, que recebeu o Colar de Honra ao Mérito, uma das principais honrarias da Alesp. A sessão foi proposta pelo presidente da Casa, André do Prado (PL), aliado de Valdemar e que ganhou força como opção para a vice na chapa de Tarcísio.
O atual vice-governador, Felício Ramuth (PSD), ligado a Gilberto Kassab, articula nos bastidores para permanecer no cargo caso Tarcísio dispute a reeleição. Na quarta-feira (24), o governador afirmou que "não existe esse negócio de direito do partido" na escolha do vice, em resposta a Valdemar, que havia dito considerar um "direito" do PL indicar o nome e defendido André do Prado como "ótimo" para a função.
A definição tornou-se peça-chave na relação entre Republicanos, PL e PSD e funciona como termômetro da influência que cada legenda pretende exercer em um eventual segundo mandato de Tarcísio.
Como mostrou o Estadão, aliados do governador avaliam que a pressão pública do PL pode surtir efeito contrário e dificultar a consolidação de Prado. Parte da própria legenda compartilha dessa leitura e defende reduzir cobranças ostensivas, apostando em articulação nos bastidores sob o argumento de que Tarcísio tende a endurecer quando se sente pressionado.
Nesse contexto, a presença de Flávio na Alesp também foi interpretada como gesto de prestígio a André do Prado e a Valdemar. Anotações feitas pelo senador em reunião com dirigentes do partido indicam que ele discutiu a possibilidade de o presidente da Assembleia integrar a chapa como vice.
Ao lado do nome de Prado, escreveu "vice?". Em referência a Ramuth, registrou apenas um cifrão. O site Metrópoles publicou que o vice-governador é investigado em Andorra sob suspeita de lavagem de dinheiro, informação classificada por Tarcísio como "fofoca".
Arranjo para o Senado
Flávio Bolsonaro afirmou ainda que pretende ouvir a opinião de Tarcísio sobre a composição da chapa ao Senado por São Paulo e disse que o entendimento no grupo é que caberá ao governador indicar um nome. O preferido de Tarcísio é o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública. Aliados relatam que a segunda vaga na chapa deve ficar com o PL, na cota da família Bolsonaro, conforme acerto entre o ex-presidente e o governador.
O senador reforçou que decisões estratégicas sobre sua eventual candidatura passam por Jair Bolsonaro: "Não há decisão que eu tome que não passe por Jair Bolsonaro", afirmou.
A solenidade na Alesp também reuniu o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o senador Rogério Marinho (PL-RN), entre outras lideranças, reforçando o caráter político do ato e inserindo a cerimônia no tabuleiro das negociações da direita para 2026.
Estadão Conteúdo, com redação
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