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Emissoras dos EUA boicotam discurso de Trump sobre 'fraude eleitoral'

Presidente fez pronunciamento nesta quinta-feira (16) em que acusou a China de interferir nas eleições presidenciais de 2020, em que Trump foi derrotado por Joe Biden

CAMILA CETRONE

16/07/2026 • 23:06 • Atualizado em 16/07/2026 • 23:26

Emissoras norte-americanas optam por boicotar discurso de Trump sobre fraude eleitoral

Emissoras norte-americanas optam por boicotar discurso de Trump sobre fraude eleitoral

Saul Loeb/Reuters

Três das maiores emissoras de televisão dos Estados Unidos boicotaram o discurso realizado pelo presidente Donald Trump na noite desta quinta-feira (16), em que ele questiona a segurança do sistema eleitoral e acusa a China de ter interferido nas eleições presidenciais de 2020 e de ter comprado ilegalmente 220 milhões de arquivos com informações pessoais de eleitores. Naquele ano, Trump perdeu a corrida eleitoral para Joe Biden.

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O pronunciamento de Trump acontece quatro meses antes das eleições de meio de mandato, as chamadas midterms, que definem o controle do Congresso norte-americano e servem como um termômetro da popularidade do presidente.

A Casa Branca havia mantido o assunto em segredo. Contudo, havia especulações de que o teor do discurso seria relacionado às supostas interferências e à falta de lisura nas eleições daquele ano.

Emissoras de TV optam por não transmitir discurso

Segundo a Reuters, a NBC e a ABC escolheram não transmitir o pronunciamento ao vivo na televisão. Ambas apenas transmitiram o pronunciamento em seus serviços de streaming e comentaram as falas de Trump posteriormente.

Os canais de streaming da ABC e da NBC geralmente atraem uma fração do público que seus canais de transmissão tradicional alcançam. A rede digital da CNN é um serviço pago com uma audiência menor do que seu canal de TV a cabo convencional.

A CNN norte-americana chegou a transmitir o início do discurso ao vivo, mas interrompeu a transmissão depois que Trump realizou as alegações sobre a China. A CNN brasileira optou pelo mesmo protocolo.

"A CNN cobrirá o discurso do presidente como um acontecimento jornalístico e o monitorará para novos desdobramentos, fornecendo análises e comentários de especialistas da CNN que cobrem eleições, inteligência e o FBI", disse uma fonte da emissora ao HuffPost. A postura é similar à adotada pelas concorrentes.

A Fox News, que tem uma linha editorial mais alinhada ao republicano, manteve os planos de transmissão ao vivo normalmente.

Segundo o New York Times, as empresas também tiveram dificuldade de decidir a melhor forma de proceder com a transmissão do discurso, seja com apresentadores intervindo para fazer checagem de fatos ao vivo ou esperando até que ele terminasse a fala para oferecer contexto.

As emissoras são respaldadas pela Primeira Emenda dos Estados Unidos para escolher o que transmitir ou vetar. Contudo, historicamente, as empresas escolhem colocar os discursos no ar com o argumento de que as informações são de "interesse público".

Casa Branca x Oposição

Com a tensão escalando, a secretaria de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, pediu para que as emissoras transmitissem o discurso para que "o povo americano possa tirar suas próprias conclusões".

Outros parlamentares e opositores do governo afirmaram que transmitir o discurso de um presidente com falas que descredibilizam o sistema eleitoral "coloca em risco" a democracia.

A deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez, uma das opositoras mais vocais de Trump, chegou a pedir que as emissoras não transmitissem o discurso para impedir a "disseminação de mentiras sobre nossas eleições". "Acho que temos a obrigação ética de não transmitir coisas que enfraqueçam nossas eleições e que não estejam fundamentadas em fatos", disse nesta quinta-feira.

Trump contra o sistema eleitoral

Desde 2020, o presidente Trump realizou diversas falas em que coloca a lisura do sistema norte-americano de votação em xeque. Ele chegou a afirmar, sem comprovação, que o sistema de votação por correio é "fraudulento", que as máquinas de votação são vulneráveis à manipulação e que o voto de não cidadãos é generalizado. Em 6 de janeiro de 2021, apoiadores de Trump invadiram o Capitólio em Washington, D.C., em busca de impedir a certificação da vitória eleitoral da chapa Biden-Harris.

À época, diversas instituições oficiais respaldaram a segurança e a credibilidade do resultado. O Departamento de Justiça (DOJ), então chefiado por um procurador-geral indicado por Trump, não encontrou evidências suficientes para alegar fraude.

Outras entidades, como a Agência de Segurança de Infraestrutura e Cibersegurança e a Comissão de Assistência Eleitoral dos EUA, acompanharam o posicionamento. Autoridades eleitorais, tanto republicanas quanto democratas, também asseguraram a segurança do processo eleitoral, chegando a definir a eleição de 2020 como "a mais segura da história" do país.