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Quem escolhe o tema da redação do Enem? Envelhecimento é destaque em 2025

Saiba como o Inep define o assunto da prova e entenda por que o tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira” reflete um dos debates mais urgentes do país

Babi Fava
BABI FAVA

09/11/2025 • 16:13 • Atualizado em 09/11/2025 • 16:13

Enem

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Agência Brasil

Na semana do Enem, uma dúvida movimentou milhões de estudantes e ganhou destaque nas buscas do Google: “Quem escolhe o tema da redação?”. Segundo dados da Sala Digital, essa foi uma das perguntas mais feitas antes da prova e o interesse só aumentou depois da divulgação do tema de 2025: “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”.

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A escolha não poderia ser mais simbólica. Em um país que envelhece em ritmo acelerado, a redação deste ano convida o candidato a refletir sobre o próprio futuro e o futuro coletivo de um Brasil que já começa a mudar de rosto.

O país vive uma transição demográfica sem precedentes. A população idosa deve dobrar até 2050 e, já em 2031, o número de pessoas com mais de 60 anos deve ultrapassar o de crianças. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tende a ocupar, até o fim de 2025, a sexta posição mundial em número absoluto de idosos. Envelhecer, aqui, deixou de ser apenas uma questão individual: tornou-se um desafio político, econômico e cultural.

Mas afinal, quem decide o tema?

A resposta está guardada a sete chaves. O responsável é o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC). O processo é conduzido por uma comissão de especialistas que, de forma colegiada e sigilosa, define o tema por consenso. Nenhum detalhe é revelado até o dia da prova — o nível de confidencialidade é comparável ao de uma operação de Estado.

A preparação começa cerca de seis meses antes da aplicação do Enem e envolve revisões, testes e protocolos para garantir isonomia, ou seja, as mesmas condições para todos os candidatos.

Para que um tema seja aprovado, ele precisa passar por três filtros principais, conhecidos internamente como os “critérios de ouro” do Enem:

  1. Relevância social e cultural: o assunto precisa dialogar com o presente e provocar reflexão sobre a realidade brasileira — temas como violência de gênero, imigração e publicidade infantil já ilustraram essa escolha.
  2. Universalidade: qualquer candidato, independentemente de origem ou classe social, deve conseguir argumentar sobre o tema.
  3. Possibilidade de intervenção: essa é a alma da redação. O Enem não pede apenas que o estudante analise o problema, mas que proponha soluções concretas, dentro do que prevê a Competência 5, respeitando os direitos humanos.

Envelhecer no Brasil revela desigualdades e novos desafios sociais

O tema de 2025 coloca em pauta um dos grandes desafios do século: como envelhecer com dignidade em uma sociedade que muda mais rápido do que suas políticas. A proposta abre espaço para refletir sobre a adaptação dos sistemas de previdência e saúde diante do aumento da expectativa de vida (hoje em 76,4 anos, segundo o IBGE).

A redação também estimula o debate sobre desigualdades, já que envelhecer no Brasil não é igual para todos. Fatores como renda, acesso à saúde e condições de moradia definem trajetórias muito diferentes na velhice. Ao mesmo tempo, o tema traz à tona o etarismo — preconceito ainda pouco discutido, mas que exclui justamente quem acumula experiência e contribuições.