
Bolsonaro
Agência Brasil
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) irá começar o julgamento do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) na próxima terça-feira (2), em Brasília. O político será julgado por suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
O ex-presidente responde por cinco crimes. São eles:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado pela violência e grave ameaça;
- Deterioração de patrimônio tombado.
Além dele, serão julgados mais 7 réus. Essas 8 pessoas fazem parte do Núcleo 1, e são acusados de serem personagens principais da trama golpista. São eles:
- Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
- Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
- Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
- Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
- Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
- Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa do Brasil.
O que aconteceu em 2022?
Bolsonaro tentava a reeleição da Presidência da República em 2022 após cumprir 4 anos de mandato. Walter Braga Netto era o vice da chapa.
O ex-presidente chegou a ir para o 2º turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas perdeu. Geraldo Alckmin se elegeu vice-presidente.
Durante todo o período eleitoral, Bolsonaro e a extrema-direita questionaram a confiabilidade das urnas eletrônicas, o trabalho do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pediram o retorno do voto impresso, extinto desde 1996.
No dia do segundo turno, em 30 de outubro de 2022, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou blitz em algumas regiões do Nordeste. Posteriormente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) interpretou que as ações foram uma tentativa de Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF, de evitar a chegada dos eleitores de Lula aos locais de votação e, assim, manter Bolsonaro na Presidência.
Na época, mais de 2 mil ônibus foram parados na região, onde Lula venceu com ampla margem.
Bolsonaro só reconheceu o resultado das eleições 44 horas depois da apuração dos votos.
Os réus do Núcleo 2 são:
- Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da PRF;
- Marcelo Costa Câmara, ex-assessor de Bolsonaro;
- Marília Ferreira de Alencar, delegada da PF e ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça;
- Fernando de Sousa Oliveira, delegado da PF e ex-diretor de Operações do Ministério da Justiça e ex-secretário-adjunto de Segurança Pública do DF;
- Mario Fernandes, ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência;
- Filipe Garcia Martins, ex-assessor da Presidência da República.
8 de janeiro
No dia 8 de janeiro de 2023, manifestantes chegaram em caravanas à Esplanada dos Ministérios e romperam as barreiras de segurança. Em poucos minutos, tomaram os prédios do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF). Vidraças foram quebradas, móveis e obras de arte destruídos, além de documentos históricos danificados. No STF, a sessão plenária foi invadida e vandalizada.
A mobilização vinha sendo articulada desde a derrota de Bolsonaro nas eleições de outubro de 2022, com o codinome "Festa da Selma". Grupos de extremistas acamparam em frente a quartéis do Exército em várias cidades do país, pedindo intervenção militar e questionando o resultado das urnas, mesmo após todas as instâncias da Justiça Eleitoral confirmarem a vitória de Lula.
A ação expôs falhas graves no esquema de segurança do Distrito Federal, o que levou à intervenção federal na segurança pública da capital, decretada pelo presidente Lula ainda no mesmo dia. O então governador do DF, Ibaneis Rocha, chegou a ser afastado temporariamente do cargo por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, sob a acusação de omissão.
As punições não demoraram a chegar. Milhares de pessoas foram presas em flagrante ou nos dias posteriores aos ataques. Hoje, 1 ano e 8 meses após os atos, 762 pessoas já foram condenadas.
Minuta do golpe
Dois dias após a tentativa de golpe, a Polícia Federal (PF) encontrou na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres uma minuta, que é uma proposta de decreto antes da publicação, para que o então presidente Jair Bolsonaro (PL) instaurasse um estado de defesa na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O objetivo da ação era reverter o resultado do segundo turno da eleição presidencial em que o presidente Lula (PT) foi o vencedor.
O documento previa a investigação de casos de abuso de poder, suspeição de medidas ilegais da presidência do TSE antes, durante e depois do processo eleitoral.
"Punhal Verde e Amarelo" e os Kids Pretos
No dia 19 de novembro de 2024, a Polícia Federal realizou uma operação contra organização criminosa responsável por planejar os assassinatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, o grupo — formado em sua maioria por militares das Forças Especiais (FE), os chamados "kids pretos" — visava um golpe de Estado para impedir a posse do governo eleito em 2022.
O planejamento operacional da organização era denominado "Punhal Verde e Amarelo". Os assassinatos de Lula, Alckmin e Moraes deveriam ocorrer em 15 de dezembro de 2022, três dias após a diplomação do petista no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Partes dos presos nesta operação fazem parte do Núcleo 3 da trama. São eles:
- Bernardo Romão Correa Netto - coronel do Exército;
- Cleverson Ney Magalhães - tenente-coronel;
- Estevam Theophilo - general;
- Fabrício Moreira de Bastos - coronel;
- Hélio Ferreira - tenente-coronel;
- Márcio Nunes de Resende Júnior - coronel;
- Nilton Diniz Rodrigues - general;
- Rafael Martins de Oliveira - tenente-coronel;
- Rodrigo Bezerra de Azevedo - tenente-coronel;
- Ronald Ferreira de Araújo Júnior - tenente-coronel;
- Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros - tenente-coronel;
- Wladimir Matos Soares - policial federal.
Núcleo 4
Além dos militares de alta patente envolvidos no “Punhal Verde e Amarelo”, a investigação também identificou um quarto grupo, formado por oficiais de patentes intermediárias e agentes de segurança próximos ao bolsonarismo. O Núcleo 4 teria atuado como uma espécie de elo entre os planejadores e a base operacional, ajudando a difundir teorias conspiratórias, organizar articulações e oferecer suporte logístico às ações golpistas.
Entre os acusados estão ex-militares de diferentes patentes e até agentes da Polícia Federal, além de representantes de entidades civis ligadas à contestação do processo eleitoral. São eles:
- Ailton Moraes Barros — ex-major do Exército;
- Ângelo Denicoli — major da reserva do Exército;
- Giancarlo Rodrigues — subtenente do Exército;
- Guilherme Almeida — tenente-coronel do Exército;
- Reginaldo Abreu — coronel do Exército;
- Marcelo Araújo Bormevet — agente da Polícia Federal;
- Carlos Cesar Moretzsohn Rocha — presidente do Instituto Voto Legal.
De acordo com a PF, esses nomes não ocupavam posições de comando como os do Núcleo 1, mas funcionavam como apoiadores estratégicos, ampliando o alcance do movimento golpista dentro das Forças Armadas e de órgãos públicos.
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