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EUA e Cuba estão em negociações secretas

Diálogo é entre o neto do ditador Raúl Castro, o Raulito, 41, conhecido como “Caranguejo”, e o secretário de Estado Marco Rubio, fluente em espanhol e filho de cubanos

Por Redação
REDAÇÃO

19/02/2026 • 10:48 • Atualizado em 19/02/2026 • 10:48

Moises Rabinovici
Marco Rubio, secretário de estado dos EUA

Marco Rubio, secretário de estado dos EUA

Umit Bektas/Reuters

Negociações secretas entre EUA e Cuba foram flagradas pelo repórter Marc Caputo, do site Axios, de Washington. O diálogo é entre o neto do ditador Raúl Castro, o Raulito, 41, conhecido como “Caranguejo”, e o secretário de Estado Marco Rubio, fluente em espanhol e filho de cubanos que emigraram para Miami antes da Revolução de 1959.

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A escolha do interlocutor em Cuba demonstra que os EUA veem Raúl Castro, 94, como o líder cubano que toma as decisões. E o seu neto Raulito, “Caranguejo” por causa de um dedo deformado, como representante dos jovens para os quais a revolução comunista fracassou.

O modelo venezuelano pode servir para Cuba. Uma fonte disse ao Axios: “Estão procurando uma Delcy Rodríguez cubana” (a vice de Nicolás Maduro que assumiu o poder). Mas a mudança de regime sem mudar quem comanda as decisões políticas e a administração do dia a dia não seria tão fácil como na Venezuela.

Um candidato a Delcy Rodríguez pode ser o sobrinho-neto de Fidel e de Raúl Castro, o engenheiro eletrônico Óscar Pérez-Oliva Fraga, 54, segundo o jornal espanhol El Pais. Ele tem experiência em gestão de empresas e ocupa o cargo de vice-primeiro-ministro e ministro para Investimentos Estrangeiros. Outro candidato seria o filho de Raúl Castro, o coronel Alejandro Castro Espin.

O presidente cubano Miguel Diaz-Canel já reafirmou que “a rendição não é uma opção”. Mas a crise é a pior desde a Revolução de 1959. Cuba está à beira do colapso, a crise humanitária aumentando, lixo amontoado nas ruas, energia faltando, hospitais limitando cirurgias, escassez de comida, rodízio de transportes e sem o turismo que salvou a ilha depois do fim da União Soviética, nos anos 90.

A dívida externa cubana alcançou os 46 bilhões de dólares, sem pagamento possível aos credores. O economista cubano Emilio Morales, vice-presidente do laboratório de ideias Cuba Siglo 21, diagnosticou: “Estamos na etapa final”. Para ele, o prazo é o próximo verão, a menos que “um milagre” aconteça. Durante a Conferência de Munique, na semana passada, o secretário de Estado Marco Rubio reclamou que os cubanos “querem controlar tudo”. E acrescentou: “Preferem estar à frente de um país moribundo do que permitir que prospere”.

“É improvável o regime sobreviver”, diz o pesquisador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Andrés Malamud, ao jornal Diário de Notícias desta quinta-feira. “Cuba sempre precisou de aliados externos para sua sobrevivência material: a URSS, China, Venezuela. Hoje não tem mais nenhum”.

O chanceler russo Sergey Lavrov recebeu o ministro de Relações Exteriores cubano Bruno Rodrigues Parilla, na semana passada. Aproveitou para pedir “bom senso e responsabilidade” aos EUA. Ele não quer que haja bloqueio naval à ilha, como na Venezuela, embora nada tenha falado sobre enviar petróleo russo à Cuba. Bloqueio ou não, uma flotilha, Nuestra América, está em formação no México para levar ajuda humanitária aos cubanos, em março.

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